Projeto quer regulamentar flanelinhas em Maringá
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quinta-feira, 25 de junho de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Flanelinha? Não, ''guardador autônomo de veículos automotores''. É essa a nomenclatura que a atividade pode ganhar, em Maringá, na regulamentação proposta em projeto de lei protocolado na Câmara de Vereadores esta semana. O autor da matéria, vereador Wellington Andrade (PRP), argumentou que a iniciativa quer adequar a cidade a dispositivos já existentes em lei federal que classifica o ''guardador'' como profissional autônomo.
O autor do projeto estima haver em Maringá entre 200 e 250 flanelinhas. ''O principal objetivo é tirar das ruas os marginais travestidos de guardadores - por isso o projeto estabelece uma série de exigências, a começar pelo registro do profissional na Delegacia Regional Trabalho (DRT) e na Setran (Secretaria Municipal de Trânsito)'', disse o vereador, para completar: ''A pessoa ainda precisará comprovar, por exemplo, que mora em Maringá, tem certidão criminal negativa, atestado médico de sanidade mental com menos de um mês, ser morador na cidade e terá de ser autônomo cadastrado na Prefeitura e apresentar a quantidade de vagas no ponto pelo qual ficará responsável''.
Segundo Andrade, é comum a Câmara receber queixas de maringaenses que denunciam desde casos de agressão física, extorsão e danos nos carros supostamente praticados por guardadores. Indagado se, por outro lado, o cidadão vai compreender uma lei municipal regulamentando a atividade que onera quem estaciona em vias públicas, o vereador respondeu: ''O guardador autônomo não vai cobrar; é contribuição voluntária que a pessoa escolhe se dá, ou não'', acredita. ''É fato: temos um problema para enfrentar, e não adianta virar as costas. Portanto, uma das soluções pode ser eliminando os maus profissionais dessa atividade, e é isso a que o projeto se propõe'', concluiu.
Pelo projeto de Andrade, o ex-flanelinha passa a contar com crachá de identificação e colete, na atividade que, de acordo com a matéria, terá de ser fiscalizada pela Setran e pela Guarda Municipal, os quais também emitirão ou não a autorização para o interessado em atuar.
O gerente de Defesa Social do Município e chefe da Guarda Municipal de Maringá, Paulo Mantovani, adotou um tom de cautela a respeito do projeto. Ele lembrou que, em junho do ano passado, a Prefeitura já efetuou um cadastro dos flanelinhas da cidade, o qual, diante da análise da situação deles junto à Polícia, contabilizou 98 pessoas.
''Esses 98 flanelinhas receberam um colete e tiveram o compromisso nosso e de entidades de tentar obter um emprego fora das ruas, participando de cursos, mas nenhum teve interesse. Além disso, muitos emprestaram ou clonaram os coletes; o projeto não deu certo'', comentou. Se o projeto de Andrade é viável? ''Se a Câmara aprovar, quem vai definir isso é o prefeito, e diante das tentativas que já fizemos. Já em relação à opinião pública, pessoalmente, acho difícil o cidadão aceitar a iniciativa'', admitiu.


