Curitiba - O projeto de lei do governo do Estado que quer coibir o fumo em estabelecimentos em que há circulação de pessoas e atividades laborais já é alvo de críticas de donos de bares e casas noturnas do Paraná. Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), Fábio Aguayo, a proposta é ''radical''. ''É uma discriminação com cidadãos que pagam impostos'', declarou.
O projeto deve sofrer modificações na Assembleia Legislativa. Os membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa decidiram ontem fazer um substitutivo geral da proposta, com base nos textos de outros projetos semelhantes, que já haviam sido protocolados por parlamentares. Antes do Executivo, pelo menos quatro deputados já tinham apresentado propostas do tipo: Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), Reinhold Stephanes Jr. (PMDB), Antonio Belinati (PP) e Ney Leprevost (PP).
A Abrabar declarou apoio a iniciativa de Stephanes Jr. ''É uma proposta menos radical e que vinha sido discutida com o empresariado'', disse. Aguayo também criticou a ''falta de pesquisa do governo''. ''Já existem projetos tratando do assunto na Assembleia. Por que não continuar discutindo essas propostas?'', questiona.
Para o médico João Alberto Lopes Rodrigues, coordenador do programa de controle de tabagismo da Secretaria de Saúde de Curitiba, a iniciativa de restringir os locais em que é possível fumar tem eficácia comprovada. ''Todas as pesquisas que realizamos mostram que a porcentagem de fumantes que consegue parar depois da restrição sobe para 10%. Na população em geral, o índice de pessoas que conseguem parar de fumar é de 3%'', aponta.
Segundo Rodrigues, a legislação atual já proíbe o fumo em ambientes coletivos. ''Desde 1996 já havia essa restrição. Foi essa legislação que deu margem para o surgimento dos famigerados fumódromos. O problema é que esse tipo de local destinado a fumantes teria que ser isolado dos outros ambientes, o que não acontece em nenhum bar ou estabelecimento do gênero'', explica. ''O fumo passivo é, segundo a Organização Mundial de Saúde, a terceira principal causa isolada e evitável de mortos no mundo'', completa.
''A proibição do fumo em locais fechado é uma medida de saúde pública'', informa a chefe da Divisão de Risco Cardiovascular da Secretaria de Estado da Saúde, Eludia Rosalinski. Isso porque a fumaça do cigarro em locais fechados é mais tóxica. ''A proibição faz com que esse tipo de informação circule e faça com que o fumante passe a repensar esse hábito'', explica.
O presidente da Abrabar discorda. ''Hoje há tecnologias de exaustão que garantem uma exposição menor das pessoas a fumaça do cigarro'', defende Aguayo. (colaborou Catarina Scortecci)

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