Projeto proíbe venda de estatais de energia
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem projeto do senador Roberto Freire (PPS-PE) que proíbe a privatização de empresas públicas ou sociedades de economia mista do setor de geração e transmissão de energia. Para o projeto virar lei, ainda precisa ser apreciado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), para depois ir a plenário. Também depende de sanção do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A decisão do Senado atinge diretamente o governo do Paraná, que pretende vender a Companhia Paranaense de Energia (Copel) entre outubro e novembro deste ano. Ontem, o clima era de alerta nos corredores do Palácio Iguaçu. Entretanto, a bancada de oposição na Assembléia Legislativa do Paraná que tenta revogar a autorização para o Estado vender a estatal - comemorou a aprovação.
Freire preferiu não especular em quanto tempo sua proposta pode ser aprovada, admitindo que a decisão da CCJ não será bem recebida pelo Palácio do Planalto. Não vão gostar nada disso. Agora o governo terá que mobilizar sua bancada para rejeitar o projeto na CAE. A votação do projeto não estava prevista na pauta de ontem da CCJ, tanto que o parecer do relator (aprovado por unanimidade), senador Roberto Requião (PMDB), foi feito oralmente. O objetivo é fazer com que a iniciativa privada invista na construção de novas geradoras, resumiu Requião candidato assumido ao governo do Paraná em 2002.
Freire defende que o setor energético é estratégico para o desenvolvimento, por isso deve permanecer nas mãos do Estado. O senador pernambucano argumenta que uma crise no setor ronda o País. A tímida retomada do desenvolvimento traz consigo o risco de seu colapso, com apagões e outros cortes na energia, ponderou. A iniciativa privada terá que investir em novas fontes de geração de energia, e não comprar as usinas que já estão disponíveis, arrematou.
Os argumentos de Requião são semelhantes. A utilização de águas dos rios brasileiros para navegação, irrigação, geração de energia não pode ser privatizada. Os interesses nacionais devem se sobrepor à ganância, disparou. O peemedebista lembrou que as 14 termoelétricas em construção no País são da Petrobras. Nenhuma é de empresas privadas. Para Requião, isso demonstra que a iniciativa privada quer se apossar das empresas já existentes, extraindo lucro e mandando os recursos para o exterior. Segundo ele, a crise do setor energético está acontecendo por falta de investimentos na geração e transmissão de energia. Requião diz que as estatais foram impedidas pelo governo federal de obter empréstimos no Banco Mundial, BID, BNDES e Caixa Econômica Federal para novos investimentos, em obediência a acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para dimunuir o déficit público.
O secretário de Governo do Paraná, José Cid Campêlo Filho, disse que a privatização da Copel está sendo conduzida pelo Palácio Iguaçu em obediência ao programa de desestatização do governo federal. Se as regras do jogo mudarem, só nos resta obedecer. Já o deputado Orlando Pessuti (PMDB) comemorou a decisão do Senado. É uma ótima notícia, que ajuda a sensibilizar a opinião pública, avaliou.
Entre os senadores que votaram a favor do projeto estão Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) ex-presidente do Senado e Lúcio Alcântara (PSDB-CE). O projeto modifica o texto da Lei 9.491 (Lei das Privatizações), de setembro de 1997, que excluiu a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e empresas de economia mista (como a Petrobras) da privatização.
(com agência Estado)





