Defensor do imposto único há quase dez anos, o deputado federal Marcos Cintra (PL-SP) apresentou proposta ao Congresso Nacional que prevê a implementação gradual do tributo e sua aprovação em referendo popular depois de um período de experiência. O projeto de Cintra está entre as dezenas de propostas de reforma tributária que tramitam na Câmara desde 1995, quando o atual governo apresentou sua primeira sugestão de mudança na área. O imposto único substituiria quase todos os tributos hoje existentes e incidiria sobre as operações bancárias, nos moldes da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).
A vantagem, na opinião de Cintra, é a dificuldade de sonegação e a simplicidade na cobrança. Eleito deputado no ano passado, Cintra propõe a implementação do imposto único em duas etapas. Na primeira, que duraria três anos, o tributo seria cobrado paralelamente aos impostos federais hoje existentes e poderia ser integralmente compensado.
O novo tributo seria chamado de IMF (Imposto sobre Movimentação Financeira). Ao final de três anos, haveria uma consulta popular, na qual a população decidiria se o IMF substituiria os demais tributos existentes. Também haveria a decisão sobre a adesão ao sistema por parte de Estados e municípios.
Na opinião de Cintra, a proposta tem a vantagem de dar um período de experiência para que a idéia seja testada. Além disso, adia para uma segunda etapa o debate sobre o pacto federativo, pelo qual se definem as competências tributárias da União, Estados e municípios e a divisão dos recursos arrecadados.
Na opinião do deputado, o atual modelo tributário brasileiro está falido, por basear-se principalmente em impostos declaratórios - como o Imposto de Renda e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, que são pagos por meio de declarações. Além de propor a implantação gradativa do imposto único, o deputado já aceita um modelo em que o tributo não seja tão único como pretendia anteriormente.
Haveria impostos seletivos sobre energia elétrica, veículos, combustíveis, telecomunicações, cigarros e bebidas. O IMF também convive com os chamados tributos extrafiscais, cuja principal função não é a de arrecadar, mas a de regular determinadas áreas, como o Imposto sobre Operações Financeiras e o Imposto Territorial Rural. Pelo projeto de Cintra, o IMF teria um alíquota inicial de 0,5%, que subiria gradativamente até atingir 3% no terceiro ano de vigência.

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