Projeto libera sepultamento de religiosos em igrejas
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domingo, 01 de dezembro de 2013
Luís Fernando Wiltemburg<br> Reportagem Local 
Um projeto de autoria do prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), vai permitir a instalação de criptas em templos para abrigar restos mortais de líderes religiosos. Apesar de a medida partir da Igreja Católica, que mantém essa tradição, o texto beneficia todas as crenças, mas exigirá o cumprimento de normas ambientais e sanitárias iguais às seguidas por cemitérios.
Os vereadores aprovaram na última quinta-feira a dispensa de tramitação especial para a proposta, eliminando a exigência de prazo regimental dobrado para emissão de pareceres sobre alteração em planos e códigos. O sepultamento fora de cemitérios é proibido pelo Código de Posturas do Município e o projeto modifica justamente essa legislação.
Segundo a vereadora Elza Correia (PMDB), líder do governo na Câmara, a alteração é um pedido antigo da Catedral Metropolitana de Londrina. "O Dom Albano Cavallin já manifestou esse desejo. Mas, como nenhum prefeito modificou a lei, o Kireeff resolveu aceitar", diz.
Ela ressalta, entretanto, que todas as normatizações ambientais existentes serão exigidas. No caso de uma cripta, que fica fora de área específica para sepultamentos, há cuidado específico para escape de gases produzidos pela decomposição do corpo, precisa ser bem vedado e, em alguns casos, há a necessidade de utilização de produtos que aceleram a degradação da matéria orgânica.
Na justificativa do projeto, Kireeff afirma que o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) já regula a instalação de criptas, que consistem em compartimentos destinados a sepultamentos em edificações ou templos. Além disso, medidas semelhantes já são adotadas por cidades como Curitiba e Maringá.
Dom Albano afirma que o sepultamento dentro de igrejas católicas é uma prática "imemorial". "Nesta semana, o papa Francisco segurou os restos mortais de Pedro (o primero sumo pontífice da Igreja Católica)", recorda, exemplificando o costume religioso de manter restos mortais de seus líderes.
No Brasil, apesar de leis contrárias que surgiram por questões sanitárias, há acordo com a Santa Sé para o cumprimento de regras específicas, como o do projeto de lei em questão.
Embora até o momento haja uma proibição em Londrina, o corpo de Dom Geraldo Fernandes já está sepultado na Catedral. "Mas é em um local que não é o melhor, ao lado do altar", avalia Dom Albano. A cripta planejada vai ficar mais longe do contato com os fiéis.


