Curitiba- Um projeto de lei que deve ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia prevê a concessão de proteção policial para ex-governadores por três anos. O texto assegura a cessão de quatro policiais militares da Casa Militar para fazer a segurança do ex-chefe do poder executivo estadual. Para o líder do governo na Assembleia, deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB), a proposta garante a independência do governante.
''Já existe uma lei federal de conteúdo semelhante que garante proteção a ex-presidentes'', disse. Segundo o parlamentar, o governador pode gerar ''muitas controvérsias'' no exercício do cargo e ''contrariar os interesses dos poderosos'' e a nova lei garantiria que esse governante ficaria protegido de represálias ao deixar o governo.
Segundo Romanelli, a proteção poderá ser requisitada por Roberto Requião e os futuros governadores do estado. ''A lei não tem efeito retroativo'', explicou.
O deputado disse que a iniciativa não foi pensada para atender apenas o governador Roberto Requião, que deixa o cargo no próximo dia 31 de março. Mas informou que a ''segurança do governador nos preocupa''. ''Ele enfrentou muitos interesses, setores retrógrados da sociedade, o tráfico de drogas, de armas. Foi destemido no combate às quadrilhas'', defendeu.
O projeto institui a cessão de quatro policiais militares escolhidos pelo ex-governante e que garantiriam a segurança dele em todo território nacional. Além de defender a iniciativa, Romanelli adiantou que pensa em discutir outras propostas semelhantes para a proteção de outras autoridades que possam correr riscos. ''O secretário de Segurança Pública, pela postura dele, imagine os interesses que ele contrariou. É uma autoridade que deve ter um direito igual a esse'', defendeu.
O deputado antecipa que a proposta pode enfrentar resistência na Assembleia. ''A oposição pode querer fazer um cavalo de batalha'', disse. Ontem vários deputados da oposição se declararam contra o projeto. ''Ele (Requião) devia por segurança na rua, não para ele'', criticou o deputado Élio Rusch (DEM).
Já o presidente do PSDB-PR, deputado Valdir Rossoni, ironizou a iniciativa. ''Ele é tão valente que não precisa de proteção. Acho que ele não fez tão mal assim para o Estado''. ''Ele (Requião) sabe que a segurança está ruim, por isso esse interesse'', criticou.

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