Projeto é criticado também por governistas
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terça-feira, 17 de maio de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Tanto a bancada governista como a de oposição concordam em um ponto em relação ao projeto de autarquização da Emater: caso o tema fosse colocado em votação hoje no plenário, ele seria rejeitado. A grande maioria dos deputados com base eleitoral no interior rejeitam a idéia do governo, e mesmo os principais líderes do PMDB na casa têm dúvidas quanto ao mérito da idéia.
O deputado Nereu Moura (PMDB) acredita que o projeto chegou à Assembléia em uma hora imprópria, e que a votação pode causar desgaste aos deputados ligados aos produtores rurais. ''Uma mudança dessa maneira deveria ter sido feita no início do mandato. Agora, o desgaste político vai ser maior do que os benefícios de um maior controle do governo sobre a empresa. Eleitoralmente é muito ruim para o governo'', analisou Nereu.
O líder do governo Dobrandino da Silva comprometeu-se em plenário a retirar o pedido de urgência do projeto hoje. Dobrandino afirmou que antes iria apenas reunir-se com o governador para comunicar-lhe da decisão. ''A pressão popular está grande, e os deputados precisam de mais informações para decidir sobre um tema importante como esse. E o espaço para essa discussão é a Assembléia, que é uma casa democrática'', comentou Dobrandino.
Ontem o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Serviços Contábeis, Informações, Perícias e Pesquisas do Paraná (Sindaspp) Ivo Petry Sobrinho defendeu a manutenção do status de empresa pública para a Emater também na sessão ordinária da Assembléia, após a audiência pública realizada na manhã. O dirigente sindical recebeu o apoio da maioria dos parlamentares, inclusive da bancada governista.
Alguns, porém, levantaram pontos que ainda não fazem parte do debate sobre a Emater. Angelo Vanhoni (PT) argumentou que o tipo de serviço prestado pela Emater não a enquadraria na categoria de empresa pública. Pela Constituição, as empresas públicas recebem uma autonomia maior do que as autarquias e órgãos da administração direta porque teoricamente elas têm que concorrer com a iniciativa privada, que são mais ágeis que a máquina estatal. Para Vanhoni, a Emater presta um serviço que não teria concorrência no Estado, o que seria um argumento contra a manutenção de seu status de empresa pública.


