Projeto do PFL revolta bases de Lerner
Leandro Donatti
O Projeto Paraná 2000, idealizado pelo PFL para as eleições do ano que vem no Estado, está causando estragos na base política do governador Jaime Lerner (PFL). Parte dos aliados que lhe emprestaram apoio à reeleição, em 1998, ficou melindrada com as declarações do presidente do partido, João Elísio Ferraz de Campos, via Palácio Iguaçu, divulgadas nos noticiários da última sexta-feira. João Elísio defendeu um PFL independente - que não esteja a reboque dos outros partidos - e disse que a meta do Projeto Paraná 2000 é o lançamento de candidaturas próprias nos 399 municípios do Paraná - e também disse: Quem não está conosco está contra nós, e que o partido não quer ser linha acessória.
A primeira reação veio do presidente do PSB, Severino Nunes Araújo. Foram declarações infelizes, que nos deixam constrangidos. Apoiamos a reeleição do governador Jaime Lerner e do jeito que as coisas foram colocadas, ao que tudo indica estão nos excluindo, observou. Araújo não acredita que o governador vai incentivar o projeto idealizado pelo PFL sem antes conversar com os partidos que lhe deram sustentação política na campanha passada. Ainda mais numa eleição municipal, onde as coligações são fundamentais. O PFL não vai fazer os prefeitos que pretende sozinho, emendou.
O dirigente do PSB classificou o projeto pefelista de arrogante. Concordo que os partidos políticos tenham seus projetos. Mas têm de ter dentro de uma visão conjunta, sem excluir as forças que lhe dão apoio. Nós (siglas menores) temos ainda tempo na televisão e no rádio (horário eleitoral gratuito), questão que pode ser fundamental numa eleição, avaliou. Severino Nunes de Araújo não conversou ainda com o governador a respeito do Projeto Paraná 2000. Ele aguardava os desdobramentos da reunião marcada para ontem à noite, entre Lerner e João Elísio. Posso assegurar que não vamos assumir o papel de apenas engrossar um projeto do PFL, afirmou.
O presidente do diretório estadual do PPB, deputado federal José Janene, também manifestou descontentamento com a operação pefelista. É o Projeto Laranja 2000, ironizou. Para o deputado, a idéia do projeto está sendo mal colocada. Na sua avaliação, o PFL vai ter que ceder sim muita cabeça de chapa no ano que vem. Nós podemos ceder em alguns municípios, mas em outros exigir uma compensação, adiantou. Janene sinalizou que o PPB está aberto a negociações e que pretende ocupar um espaço de destaque na briga das principais cidades - o que cacifaria o PPB a ter maior poder de fogo em 2002.
O anúncio da ofensiva pefelista em busca de candidatos próprios e maior independência no Paraná, não incomoda, entretanto, o PTB. O presidente da sigla no Estado, Emerson Palmieri, disse ontem que a aliança PFL-PTB-PPB-PSB-PST terminou no ano passado, com o fim da campanha. O dirigente partidário está consciente das modificações em curso, comprovadas com o Paraná 2000 do PFL. É natural que cada um busque o seu caminho. O PTB também pretende lançar candidatos próprios. Mas queremos fazer isso de uma forma que não gere descontentamentos de nossos amigos. Até para não inviabilizarmos acordos em eleições a serem decididas em segundo turno, ressaltou Palmieri.Estão querendo nos excluir, afirma Severino Araújo, do PSB, enquanto Janene ironiza: É o Projeto Laranja 2000
Arquivo FolhaOutro ladoJanene: eles é que vão ter que ceder, sim, cabeça de chapa no ano que vem





