Depois da polêmica discussão sobre o sistema de cobrança do IPTU, a implantação do metrô em Curitiba passou a dominar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, na reta final da campanha. Três dos sete candidatos a prefeito – Ângelo Vanhoni (PT), Cassio Taniguchi (PFL), e Luiz Forte Netto (PSDB) – apresentam projetos diferentes para ‘‘melhorar’’, ‘‘ampliar’’ ou ‘‘modernizar’’ o atual sistema de transporte coletivo na capital. Os adjetivos usados para defender cada proposta são praticamente os mesmos.
Os projetos apresentados até agora concordam em outro ponto: até ontem nenhum dos três candidatos falou claramente sobre os custos ou os prazos para o término das eventuais obras de implantação do metrô. ‘‘Seguindo uma tabela internacional, o custo por quilômetro do nosso projeto pode chegar a R$ 70 milhões’’, estima Vanhoni. O candidato do PT está propondo um metrô subterrâneo, cuja primeira linha circularia entre a Praça Rui Barbosa e o Bairro Pinheirinho, na Região Sul.
‘‘Nossa proposta é uma evolução do sistema biarticulado. Vamos melhorar o sistema integrado com maior variedade modal para os usuários’’, aposta Taniguchi. O candidato à reeleição propõe um sistema de transporte de superfície no trecho urbano da BR-116, com veículos praticamente iguais aos atuais ônibus biarticulados. No fim de março, em entrevista à Folha, o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Luiz Haiakawa, informou que o projeto de um metrô elevado, instalado no mesmo local proposto por Taniguchi, poderia custar até US$ 400 milhões (o equivalente a cerca de R$ 740 milhões).
O projeto apresentado por Forte Netto é um sistema semelhante ao monotrilho (mono rail, que opera em Porto Alegre, RS), e que também aproveitaria o trajeto das linhas atuais dos biarticulados, mas em uma pista elevada. ‘‘O metrô enterrado é cinco vezes mais caro do que o elevado. Os custos do metrô realmente variam muito. Estimo que o nosso projeto possa ter um custo aproximado de R$ 10 milhões por quilômetro’’, analisa.
Os candidatos divergem bastante quanto ao local de implantação do metrô. Vanhoni e Forte Netto defendem a adaptação do metrô ao trajeto já existente para o sistema biarticulado, que liga as regiões Norte (Santa Cândida) e Sul (Pinheirinho); Oeste (Cidade Industrial) e Leste (Capão da Imbuia, com extensão para o muncípio de Pinhais) e Boqueirão-Centro. ‘‘O metrô tem que correr na posição onde está a maior concentração demográfica’’, justifica o candidato do PSDB. Na opinião dele, que é arquiteto, as análises do projeto do metrô aconteceriam durante todo o ano que vem, e as obras deveriam começar em 2002.
Vanhoni e o tucano criticam a localização do projeto de Cassio. ‘‘A pior proposta é colocar o metrô na BR-116. É o lugar errado porque não desenvolverá a cidade e não contemplará a população que necessita de um sistema de transporte de massas mais rápido e eficiente’’, critica o candidato do PT. No entendimento dos dois candidatos, usar o atual trajeto do transporte coletivo de Curitiba traria mais economia. ‘‘Não teríamos que pagar por desapropriações para fazer as obras’’, argumentam.
A proposta de Taniguchi prevê uma ‘‘revitalização ambiental’’ do trecho urbano da BR-116. Segundo o candidato à reeleição, o local foi escolhido ‘‘porque é por ali que a cidade vai crescer’’. Último dos candidatos a propor o metrô, Vanhoni admite que o assunto não deveria fazer parte do horário eleitoral gratuito. ‘‘O metrô exige uma discussão permanente. Há uma gama enorme de obstáculos e possibilidades para implantá-lo’’, concluiu.

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