Curitiba - Antes mesmo de ser distribuída às comissões da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, mensagem enviada por Beto Richa (PSDB) aos deputados estaduais gerou preocupação nos líderes do governo, Ademar Traiano (PSDB), e da oposição, Tadeu Veneri (PT). O projeto de lei revoga duas normas estaduais em vigor, que proíbem a locação de equipamentos eletrônicos de fiscalização (radares, por exemplo) e a contratação de empresas privadas para controle do trânsito em rodovias estaduais.
A proposta tem origem em estudo do Departamento de Estradas e Rodagens (DER), que mapeou 160 pontos no Paraná responsáveis pelo maior número de acidentes e mortes nas rodovias estaduais. A intenção, dizem pessoas próximas ao governo do Paraná, seria facilitar a instalação e manutenção de radares nesses trechos, geralmente localizados no perímetro urbano de grandes cidades. A emissão e processamento das multas ficaria a cargo do DER e da Celepar. Somente 80 desses pontos, diz o DER, concentraram 1.069 acidentes no ano passado, com 26 mortos, e mais radares talvez reduzissem esses números.
Na oposição, Tadeu Veneri discorda desse entendimento. Ele vê na revogação dessas leis a ''criação de uma indústria das multas, tal como ocorreu em Curitiba, já que abre a possibilidade de empresas privadas receberem de acordo com o número de multas aplicadas'', diz o político.
Na liderança do governo, Traiano reconhece que a matéria é polêmica. ''A mensagem ainda não foi distribuída. Eu quero estudar melhor a proposta, para que se tenha muito cuidado na apreciação dela em plenário'', disse o tucano, cogitando inclusive a retirada do projeto.

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