O projeto de lei de autoria da Prefeitura de Londrina que pretende trocar áreas de propriedade do município - localizadas na Gleba Palhano, no Vale do Reno e no Parque Residencial Alcântara - pelo imóvel onde está localizado o antigo Cine Augustus, no Centro da cidade, deve voltar para a pauta de discussões da Câmara de Vereadores. O projeto foi arquivado em dezembro pelos parlamentares, mas foi reenviado à Casa em janeiro pelo Executivo, que acredita que a matéria agora ganha força em função do incêndio que consumiu o Cine Teatro Ouro Verde, no último domingo.
O prefeito Barbosa Neto (PDT) fez um ''apelo'' aos vereadores na manhã de ontem, durante coletiva semanal. ''O apelo que nós fizemos é para que isso possa ser feito o quanto antes. A comunidade cultural de Londrina defendeu a aquisição desse bem em nome do patrimônio'', explicou.
Mesmo assim, o prefeito admitiu que não se pode ter garantia de que o Cine Augustus ficará pronto até o início do Festival Internacional de Londrina (Filo), em junho. ''Alguns espetáculos, que poderiam ser apresentados no Cine Teatro Ouro Verde até poderão ser apresentados no Cine Augustus caso tenhamos a rapidez de ter condições mínimas de abrigar alguns eventos. Podemos, com recursos próprios ou ajuda da sociedade, fazer emergencialmente uma ação para que possamos ter o Cine Augustus funcionando minimamente'', afirmou.
Posição dos vereadores
Segundo o presidente da Câmara de Vereadores, vereador Gérson Araújo (PSDB), ''o projeto deve ser aprovado'' pelos parlamentares. Da primeira vez, o projeto acabou sendo arquivado por se tratar de desafetar uso comum de terras, o que sempre gera polêmica na Casa. ''O prefeito também está tentando vender terrenos da prefeitura para fazer asfalto, e isso é polêmico. Mas desafetar áreas para a cidade poder usufruir de um espaço, até que possamos ter o sonhado Teatro Municipal, é válido. Na minha opinião ele deve passar'', afirmou.
Já o vereador Joel Garcia (PP) criticou a proposta da prefeitura de retomar o antigo Cine Augustus para transformá-lo em teatro. Ele considera que a instalação de um centro cultural na região pode causar transtornos. ''São dois agravantes, pois terreno público não dá para votar dessa maneira e o prédio do antigo Cine Augustus está localizado na região central, sem estacionamento e infraestrutura. Na minha opinião não vai passar.''
O também pepista Marcelo Belinati, que votou favoravelmente ao projeto no ano passado, apóia a ideia do Executivo. ''Neste caso específico voto a favor, mas ressalto que essa troca de terreno público por áreas particulares não pode virar regra.''

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