Projeto de Péricles criando 243 cargos é alvo de polêmica
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quarta-feira, 24 de janeiro de 2001
Denise Angelo De Ponta Grossa 
A reforma administrativa proposta pelo prefeito de Ponta Grossa, Péricles de Holleben Mello (PT), que deve ser apreciada hoje pelos vereadores, causa polêmicas. Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais, Leovanir Martins, o projeto cria 243 novos cargos, com uma despesa adicional na folha de pagamento líquida da ordem de R$ 224 mil por mês. A prefeitura gasta R$ 2,9 milhões com os mais de 5.500 funcionários, inclusive da administração indireta.
Ontem, o secretário municipal de Administração e Negócios Jurídicos, Claudimar Barbosa, foi até a Câmara explicar o projeto aos vereadores. E o presidente do sindicato acompanhou a explanação. Só posso chegar a uma conclusão: a mensagem é uma e o que eles estão dizendo aqui é outra coisa, afirmou. Ele disse ainda que no mínimo, a mensagem enviada ao Legislativo está mal redigida.
A grande maioria dos novos cargos que estão sendo propostos está destinada às novas estruturas criadas pela prefeitura, que são a Fundação Cultural e o Instituto de Saúde. Neste último setor, por exemplo, serão criadas 318 novas vagas para médicos, dentistas, assistentes sociais, enfermeiros e farmacêuticos grande parte para atuar no Programa Saúde da Família.
A atual administração rebate as críticas, dizendo que a reforma vai promover uma economia média de R$ 22 mil. Segundo o secretário de Saúde, Ricardo Mussi, na sua pasta a estrutura que deve ser extinta tem um custo de cerca de R$ 27 mil. Considerando as horas-extras pagas na administração anterior e o custo com médicos que prestavam serviços, esse valor chegava a R$ 66 mil. Pela nova proposta, a prefeitura gastaria R$ 55 mil. A proposta ainda substitui a secretaria pelo Instituto de Saúde, mas mantém o cargo de secretário.
Além da discussão sobre o aumento na folha, o sindicalista Leovanir Martins diz que há outras falhas na proposta do Executivo. A mensagem fere a Lei de Responsabilidade Fiscal em vários pontos. Um deles é a falta do estudo de impacto financeiro por dois anos, provocado pela criação de gastos continuados com pessoal.
O vereador João Carlos Barbiero (PL) encomendou um estudo a um advogado especialista em administração pública. E revela que descobriu vários pontos questionáveis. A mensagem, segundo ele, não indica de onde virão os recursos para fazer frente às novas despesas.


