Patrícia Andrade
Agência Folha
De Brasília
Novo ministro da Justiça, o advogado criminalista paulista José Carlos Dias, de 60 anos, acredita que uma de suas principais missões no governo será trabalhar pelo ‘‘estreitamento das relações entre os Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo’’. Ele quer ajudar na condução da reforma do Judiciário e, embora cauteloso em suas declarações, diz que é contra a extinção da Justiça do Trabalho, bandeira defendida pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) - que ele ressalta não conhecer pessoalmente.
O ministro acha que poderá atuar como ‘‘bombeiro’’ nas crises entre os Poderes, como a que foi recentemente protagonizada por ACM e pelo ministro Carlos Velloso, presidente do STF. ‘‘Não sou homem de briga’’, diz. Quando o assunto é Polícia Federal, o advogado criminalista diz que o essencial é garantir que os delegados tenham ‘‘absoluta independência na condução dos inquéritos policiais, impedindo pressões políticas para influir nos resultados’’.
Secretário de Justiça durante o governo de André Franco Montoro, entre 1983 e 1987, Dias sustenta algumas posições polêmicas. Ele é a favor, por exemplo, do projeto que prevê a união civil entre homossexuais e defende penas alternativas para crimes mais brandos. ‘‘Sou favorável à idéia da união dos homossexuais. Aceito isso como uma decorrência natural da vida. Pessoas que viveram juntas e que precisam resolver os problemas jurídicos’’.
Dias afirma que é contra a extinção da Justiça do Trabalho: ‘‘Eu eu não vejo vantagem em extingui-la e aumentar a Justiça Federal para julgar as questões trabalhistas. Eu sou contra, isso sim, a existência de juízes classistas. Quero ouvir mais opiniões sobre o tema. Pretendo ter também com o Congresso uma relação muito boa’’.
Segundo o novo ministro da Justiça, não há necessidade de mudar o comando da Polícia Federal. ‘‘Recebi as melhores informações sobre o novo diretor (Agílio Monteiro Filho). E nem o conheço pessoalmente. Eu quero dar uma serenidade para que a PF atue com bastante firmeza no combate à violência’’, disse.

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