O projeto de lei aprovado em maio de 2006 na Câmara de Vereadores de Londrina com substitutivo que beneficiou a boate erótica Shirogohan (Zona Leste) foi proposto aos parlamentares, à época, em meio a uma sessão secreta - pelo regimento interno da Casa, momento em que deveriam ser apreciadas matérias de ''outorga de honrarias ou quando ocorrer motivo relevante para a preservação do decoro parlamentar''. A informação é do decano da Casa, o vereador afastado Renato Araújo (PP).
Araújo deu a declaração à FOLHA ontem durante entrevista telefônica, gravada, a respeito de outro assunto: a ação na qual é réu por formação de quadrilha e concussão e pela qual terá audiência no Fórum na próxima segunda-feira. Além dele, serão interrogados pelo juiz da 3 Vara Criminal de Londrina os ex-vereadores Henrique Barros (sem partido) e Orlando Bonilha (PR), além dos afastados Flávio Vedoato (PSC) e Osvaldo Bergamin (PMDB).
Em depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) - que investiga a lei de zoneamento que beneficiou a boate -, o proprietário da Shirogohan, o empresário Claudemir Medeiros, negou ter pago propina pelo benefício e admitiu ter oferecido um jantar na chácara da família, dias antes da votação, supostamente a fim de expor as razões do pleito à Câmara. No depoimento, Medeiros citou, além de membros do Executivo - entre os quais o prefeito Nedson Micheleti (PT), que disse não ver problemas nisso -, nomes de cinco vereadores e afirmara que outros (ao todo, seriam oito) teriam comparecido.
Esta semana, Vedoato, um dos citados por Medeiros, comentou que sequer teria sido convidado para o evento - mas garantiu que outros vereadores (ele não citou nomes) o teriam sido. ''Estava até namorando na época, preferi não misturar as coisas'', declarara, indagado sobre o suposto churrasco.
Ontem, Araújo também negou convite e participação. ''Primeiro que não vou mesmo, não gosto disso, não compareço. Segundo, que, no dia dessa confraternização, nem sei quem foi, pois tinha outros compromissos; nem estava em Londrina'', alegou o pepista, que, assim como o prefeito, cita que a ''confraternização'' teria ocorrido, na verdade, após a aprovação do projeto. ''Foi bem depois'', assegurou.
A respeito da posição dele sobre a matéria, o decano afastado resumiu: ''Quando foi feita a sugestão do projeto, na sala da Presidência, com outros vereadores, me retirei: disse que não votaria sem saber do que se tratava''. Perguntado por que, então, foi a favor do substitutivo do líder do Executivo, Gláudio Lima, que eliminou a obrigatoriedade de que motéis em estradas e rodovias tenham distância mínima de 3.500 metros de bairros residenciais, respondeu: ''Assinei o substitutivo a pedido do Gláudio porque estaria pensando em fazer uma extensão - já que de casas de shows e boates não se exigem acústica, nem estacionamento, por que não estender esse benefício amanhã ou depois para uma igreja evangélica? Poderia usar a mesma força dessa lei para facilitar para elas''.
O vereador disse não se lembrar quem articulou a votação da matéria - no depoimento, Medeiros afirma que foi o atual presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), à época presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). ''Segundo a informação, à época, é que a alteração (do zoneamento) estava vindo do Executivo'', citou Araújo.

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