Projeto de acordo de leniência pode ferir Lava Jato de morte, diz MPF
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quarta-feira, 09 de novembro de 2016
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - A aprovação do projeto de lei 3636/2015, que altera as regras para os acordos de leniência, pode "enterrar" ou "ferir de morte" a Lava Jato. A avaliação é dos procuradores da república Deltan Dallagnol e Carlos Fernando dos Santos Lima, que integram a força-tarefa da operação. Eles concederam entrevista coletiva nesta quarta-feira (9), na sede do Ministério Público Federal (MPF), em Curitiba, para criticar a tramitação da matéria "a toque de caixa" na Câmara. Também hoje, os deputados federais votariam um requerimento de urgência, entretanto, diante da repercussão negativa, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acabou adiando a análise.
O acordo de leniência é uma espécie de delação premiada voltada às empreiteiras. O objetivo é obter informações de pessoas físicas e jurídicas acusadas de ilícitos, em troca da redução de punições. A maior reclamação do MPF é quanto ao substitutivo apresentado pelo relator e líder do governo, André Moura (PSC-SE), que exclui automaticamente a punibilidade de quem assinar o compromisso. O texto também permite que a Controladoria-Geral da União (CGU) negocie diretamente com as empresas, sem a participação do MPF e a fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU).
Segundo Dallagnol, a mudança na regra concederia uma ampla anistia a graves crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro, inclusive por investigados no esquema de desvio de recursos da Petrobras. "Quem seria salvo com esse tipo de acordo? Diretamente, todas as pessoas vinculadas às empreiteiras, porque a punibilidade seria extinta. Agora, indiretamente seriam salvas todas as pessoas no Brasil e no exterior que fossem apontadas como criminosas na negociação (
) A nossa perspectiva é de que, se aprovado o substitutivo que circulou, a Lava Jato estará ferida de morte", afirmou.
Para Lima, o PL 3636 é mais uma tratativa dentro de "um amplo receituário" que visa a diminuir os efeitos da operação nos diversos âmbitos jurídicos e empresariais. "Temos o caso da repatriação e também da tentativa de anistia do caixa dois. Tudo isso nada mais é do que faces do mesmo fenômeno", opinou. O procurador considera os termos do substitutivo tão amplos que não haveria como não existir lobby dos investigados na aprovação. "Libera totalmente as pessoas de qualquer responsabilidade criminal. E isso significaria enterrar a Lava Jato", completou.


