Brasília - Com o calendário apertado para votar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) no Senado, o governo Lula conseguiu tirar a matéria da Comissão de Constituição e Justiça sem alterações no texto, mas deve adiar a votação no plenário para a próxima semana por falta de votos para aprová-la.
A votação na CCJ foi simbólica - foram rejeitadas 19 emendas que visavam alterar o texto original. Se o texto fosse modificado, a proposta de emenda constitucional da CPMF voltaria à Câmara, o que impediria sua aprovação neste ano.
Sem uma margem confiável para vencer no plenário, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), articulou para votá-la na próxima terça, um dia antes da eleição para o novo presidente do Senado. Na contabilidade do governo, há hoje entre 45 e 48 votos favoráveis.
Até terça, o governo aposta na pressão dos governadores e na negociação de cargos e verbas federais para conseguir o mínimo de 49 votos necessários para aprovar a CPMF. Em novembro, foram liberados R$ 645 milhões em verbas para atendimento às emendas que os parlamentares fazem ao Orçamento, um recorde no ano. ''Tenho oito dias úteis e vai chegar uma hora que é a hora da verdade. Quem quiser votar contra que arque com a responsabilidade'', disse Jucá.
Ele afirmou ainda ter feito apelo ao presidente interino da Casa, Tião Viana (PT-AC), para que cancele viagens internacionais e eventuais compromissos dos senadores para não comprometer o quórum na semana que vem. Disse também que o cenário, hoje, é mais favorável à aprovação da CPMF após a absolvição de Renan: ''Se o Renan perdesse seria pior. Na abertura do painel teremos os 49''.
Lula disse não ter um plano alternativo. ''Não tenho Plano B (para a CPMF). O Corinthians tinha Plano B e caiu''. Ele disse ainda que cancelou a viagem à Bolívia, na semana que vem, por ''prudência''. A PEC da CPMF está pronta para ser votada em plenário a qualquer hora, pois já cumpriu todos os prazos
regimentais.
Ontem, o líder do PDT, Jefferson Péres (AM), se reuniu com ministro Guido Mantega (Fazenda) e assegurou que o governo terá os votos da bancada. Segundo ele, Mantega disse estar preocupado com a resistência do PSDB, mesmo diante do apelo dos governadores. A pedido da governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB), Lula recebeu os senadores do Estado. Após o encontro, os três confidenciaram a aliados que votarão a favor da CPMF.

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