Projeto cria 177 novos cargos em Jacarezinho
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quarta-feira, 06 de janeiro de 1999
Patrícia Zanin 
Enquanto várias prefeituras cortam pessoal e enxugam a máquina administrativa, a de Jacarezinho conseguiu aprovar na Câmara um projeto do Executivo criando 177 novos cargos na prefeitura. A proposta foi aprovada no dia 29 de dezembro, por sete votos a seis, apesar de ter sido considerada inconstitucional e ilegal pela Comissão de Finanças e Orçamento.
A autorização para criar os cargos, através de concurso público, recebeu várias críticas. O vereador José Paulo Pereira (PSDB), relator da proposta, ameaça encaminhar cópia ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público caso o projeto seja sancionado. Segundo ele, a matéria é inconstitucional porque seria obrigatório ter dotação prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias, o que não ocorreu. E ilegal porque projetos para criação de cargos obrigam o envio de lei complementar e não ordinária, como chegou à Câmara.
Pereira reclama ainda do impacto das contratações na folha de pagamento, hoje de R$ 324 mil/mês. O prefeito não respondeu quanto aumentaria a despesa, mas calculo pelo menos R$ 54 mil. E o município já tem gente suficiente na prefeitura, argumenta. Segundo ele, são 698 servidores para uma cidade com 38 mil habitantes. O município está precisando dessa quantidade de gente? Ainda que houvesse necessidade, é inoportuno mandar um projeto numa época dessa, de aperto financeiro.
O prefeito Mário Gaspar disse ontem à Folha que não vai sancionar o projeto. Ele reconheceu a existência de erros jurídicos e pretende mandar um novo projeto à Câmara, ainda sem data definida. Houve falha da nossa assessoria na elaboração da proposta, admitiu.
Sobre o número de funcionários, ele disse que o projeto permite essa quantidade, mas não significa que todos seriam admitidos. O governo prepara a municipalização da educação de quinta a oitava séries e precisamos nos precaver, argumentou. Ele disse que pelo menos 48 vagas iriam para professores e agora o prefeito pretende fazer um teste seletivo.
Um estudo do vereador José Paulo Pereira mostra que 37% do total de 149 professores está fora da sala de aula. O prefeito alega que não pode remanejar porque ficaria sem funcionários. Gaspar prometeu estudar mudanças nas escolas rurais para adequar o setor. Ele não descartou até mesmo a possibilidade de fechar algumas escolas na zona rural. Fora esse problema de professores, temos a falta de pagamento, pelo governo do Estado, do transporte de 5ª a 8ª séries.


