Formar cidadãos conscientes do papel dos políticos na sociedade, e, mais do que isso, do quão essencial deve ser a fidelidade a princípios éticos práticos que moldem o voto consciente no futuro. É esse o mote de um projeto social voltado a 4,2 mil crianças de 1 a 4 séries do Ensino Fundamental de escolas públicas de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba).
Aplicada em etapas desde o ano passado, a iniciativa batizada de Vila da Cidadania é desenvolvida pelo Instituto BS Colway com alunos carentes de 7 a 10 anos. Nesta segunda-feira, parte do que foi discutido em sala será empregado, na prática, em uma espécie de plebiscito no qual eles elegerão os ''partidos'' dos quais sairão, ano que vem, as chapas de ''candidatos''. Tudo é ficção, mas a idéia é que, a partir dela, os pequenos entendam melhor o que se passa na realidade.
No plebiscito, serão usadas urnas eletrônicas cedidas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) - que também treinou escoteiros que serão mesários e fiscais - na escolha de representantes para o Partido Ecológico Mirim (PEM), Partido da Solidariedade Mirim (PSM) ou Partido Ambiental Mirim (PAM).
A coordenadora do projeto, professora Sandra de Deus, contou que o viés político e de incentivo à cidadania do trabalho teve desde a explicação sobre o papel do vereador e do prefeito, por exemplo, àquilo que fundamenta um partido político. Quais foram as maiores dificuldades? ''Comparar o que eles aprendem, de forma lúdica, com a bagunça que é do lado de fora. Ética, mesmo: no projeto, eles vêem que não se opta por um partido porque há amigos nele, e sim, por aquilo que vá melhorar o País. E a infidelidade no sistema partidário real é o oposto disso.''
Apesar de lembrar que muitas crianças têm estrutura familiar precária, a coordenadora acredita na formação de gerações de eleitores mais conscientes e até mesmo em fatores de multiplicação, em casa, daquilo que é aprendido no projeto. ''Eles começam a comparar a cesta básica que os pais receberam pelo voto com aquilo que recebem e pagam, em troca; despertam desse comodismo. É esse senso crítico que tentamos aflorar, até para ver se há um despertar mais amplo pela formação de agentes de mudança'', concluiu.

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