Projeto antidoutrinação perde força na AL
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terça-feira, 10 de novembro de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba - O polêmico projeto nº 748/2015, que trata do programa "Escolas sem Partido" e que prevê acabar com uma suposta "doutrinação" dentro dos estabelecimentos públicos e privados de ensino perdeu força nas últimas semanas e sua discussão dentro da Assembleia Legislativa (AL) pode ser adiada.
Um dos indícios de que a questão pode ser deixada para ser debatida no próximo ano é que durante a sessão de ontem, muitos dos deputados que assinaram a proposta já admitiam a possibilidade de dialogar sobre o texto, propondo inclusive algumas mudanças.
Outro ponto que demonstra que o projeto não deve caminhar na Casa é que até agora ele não foi lido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Também há conversas de que a relatoria da mensagem na CCJ deve ser encaminhada para um terceiro deputado, depois de ter passado pelas mãos de Guto Silva (PSC) e Alexandre Curi (DEM).
No texto da proposta, por exemplo, há uma explicitação de que existe uma tendência de que docentes, principalmente de esquerda, estejam usando a sala de aula para estimular os alunos a participar de manifestações públicas. A ideia é, inclusive, seria afixar nas salas de aula cartazes com os "deveres" dos professores para que os alunos e pais possam conhecer quais são eles.
Segundo o deputado Hussein Bakri (PSC), um dos parlamentares que assinou a mensagem e que é presidente da Comissão de Educação, alguns tópicos do projeto podem ser "exagerados" e um pouco "extremistas", mas que por isso é importante estabelecer um diálogo. "A discussão vai ser feita. Queremos uma escola que o pai tenha certeza que o aluno vai para estudar. É preciso enxergar o outro lado, daquele pai que não quer que seu filho vá para a escola e fique escutando asneiras políticas de alguns de uma minoria que ainda o faz", ressaltou.
O deputado Edson Praczyk (PRB) também defende que o projeto seja discutido em plenário. "Esse é o espaço democrático defendido em verso e prosa por muitos que agora querem retirá-lo da pauta. Este é o espaço para se aprimorar as proposições, então quanto mais discutido for, melhor. Defendo que a proposta tem que ser aprimorada porque é uma questão da saúde da nossa educação", afirmou.
Numa audiência realizada ontem de manhã, no plenarinho da Assembleia, representantes do Ministério Público do Paraná, Conselho Estadual de Educação e da APP-Sindicato se colocaram integralmente contra a proposta. "Os professores não estão prejudicando os estudantes, muito pelo contrário, eles fazem de tudo para que os alunos saiam das escolas com uma boa formação", argumentou o deputado Professor Lemos (PT).
O líder do governo na Casa, Luiz Claudio Romanelli (PMDB) também voltou a destacar seu posicionamento contrário ao projeto. "Respeito aos autores do projeto mas tem uma divergência filosófica e há um entendimento pela inconstitucionalidade da proposta. Somos questionadores por essência, imagina se o professor não puder opinar sobre determinado assunto?", questionou.


