Projeto acaba com aposentadoria integral
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sexta-feira, 02 de maio de 2003
Agência Estado 
Brasília - A reforma da Previdência proposta pelo governo acabará com as aposentadorias do setor público equivalentes ao salário integral. O servidor que ainda não tiver cumprido os requisitos para a aposentadoria e se aposentar após a aprovação da emenda constitucional não receberá mais o salário da ativa.
''A fórmula de cálculo dos benefícios levará em conta toda a vida do servidor'', disse ontem o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, durante debate na TV Câmara. Atualmente, o servidor se aposenta com benefício igual ao valor da sua última remuneração. Pelo novo cálculo, serão considerados todos os salários que recebeu ao longo da carreira no setor público.
Por exemplo: um advogado que ingressou no setor público ganhando R$ 1.000 e que, ao longo da sua vida profissional recebeu vários aumentos e reposicionamentos na carreira chegando a R$ 10 mil no momento da aposentadoria, não se aposentará com R$ 10 mil, como ocorre hoje.
O benefício levará em consideração todos os salários e a tendência é que as remunerações iniciais puxem para baixo o valor do benefício. Essa nova forma de cálculo vem sendo chamada pelo governo de benefício médio e precisará de lei para regulamentá-la. Ou seja, não é um mecanismo constitucional aplicável automaticamente após a aprovação da reforma.
No benefício médio, também será incluído o tempo que boa parte dos servidores passou no setor privado antes de ingressar no funcionalismo. Os benefícios dessas pessoas serão calculados, proporcionalmente, com base no tempo de contribuição para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e para o setor público.
Berzoini afirmou ontem que o texto enviado pelo governo ao Congresso poderá ser modificado para evitar que os aposentados por invalidez sejam obrigados a pagar contribuição dos inativos. O texto original é genérico e não cria exceções. A modificação poderá ser feita pelo relator da reforma, deputado José Pimentel (PT-CE). O ministro acrescentou que outra alternativa seria mudar o texto para permitir que a exceção fosse incluída por meio de projeto de lei.


