‘‘O governo não deve permitir taxa de crescimento maior que 4% para evitar problemas com as contas externas’’, diz o chefe do departamento econômico do banco JP Morgan, Marcelo Carvalho. ‘‘Se necessário, ele vai conter a demanda doméstica por meio de restrições ao crédito’’, acrescenta. Essa necessidade, contudo, ainda não está clara, depende das vendas do final do ano e do movimento de reposição de estoques no início de 1997.
Um crescimento de 4% no Produto Interno Bruto (PIB) é o número mágico projetado pelos analistas para 1997. Nolasco, da MA, discorda e acredita em uma taxa superior, mais próxima de 5%, mas que ainda assim será insuficiente para criar empregos.
Para Dany Rappaport, da MCM Consultores, o PIB cresce 4,2%, com a indústria crescendo 3,6%. O setor de serviços cresce 4,2% e o setor primário chega a 6,5%, puxado pela boa safra agrícola. Em serviços, o destaque é telecomunicações e transportes.
Os oito cenários apontam para um déficit na balança comercial superior ao deste ano. Enquanto 1996 deve encerrar com um número próximo a US$ 4,5 bilhões, as projeções para 1997 se situam sempre acima de US$ 5 bilhões. A maior previsão é do JP Morgan: US$ 8,4 bilhões. A menor é da MA, com US$ 5,1 bilhões.
Para Carvalho, do Morgan, este é um dos principais problemas do governo e é o fator que impede que o País cresça de acordo com sua plena capacidade. A mesma avaliação é feita pelos membros do Conselho Regional de Economia (Corecon). Para o presidente da entidade, Antonio Correa de Lacerda, ‘‘4% é o teto do crescimento’’.
A diferença entre as previsões de Nolasco, da MA Consultores, e as demais é que ele prevê um crescimento de 11% nas exportações. Ele diz que as medidas já tomadas pelo governo terão impacto positivo já em 97 e também não se pode projetar para todo o ano de 1997 a tendência final das importações em 1996.
Este nível de déficit na balança comercial vai fazer o País acumular uma conta externa deficitária que vai se aproximar de US$ 25 bilhões ou 3% do PIB. Rappaport, da MCM, avalia que o financiamento do déficit em conta corrente é bastante tranquilo. ‘‘O investimento estrangeiro direto mais as privatizações vão provocar uma entrada de recursos de US$ 10 a 12 bilhões, que cobrem 40% o déficit em conta corrente’’, observa ele. ‘‘Por isso, o governo pode manter a política cambial e monetária’’, acrescenta.
Consultores prevêem que o juro real, descontado a inflação, será de 11% a 13%, depois dos 15% a 16% (dependendo do índice de inflação considerado) do ano de 1996. Também o câmbio segue a trajetória de uma desvalorização mensal entre 0,5% e 0,6%, o que significa que no ano ele terá uma desvalorização real de cerca de 5%.
Guzzo, do Pontual, observa que se for mantida a trajetória de redução atual da taxa de câmbio (cerca de 3% reais este ano na comparação com o IPA-DI, que mede mais custos industriais), em ‘‘três anos a valorização cambial se dilui’’.
No cenário do Lloyds, o chefe do Departamento Econômico, Odair Abate, avalia que ‘‘os juros vão seguir a trajetória declinante apresentada ao longo de 1996 devido à inflação em queda, reservas externas elevadas, juros internacionais estáveis e o forte impacto negativo que exercem sobre as contas públicas.’’
Não há possibilidade de uma desvalorização cambial. Para o LLoyds, ‘‘as opções à alteração na política cambial passam pela redução do custo Brasil, que teve início com a desoneração das exportações de produtos básicos e semi-elaborados, aumentos pontuais nas alíquotas de importação, ganhos de produtividade por parte dos exportadores ou, até mesmo, por um novo round de maior moderação no ritmo do crescimento econômico.’’

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