Líderes de partidos políticos do Paraná ouvidos pela Folha estão divididos em relação à proibição de coligações entre os partidos políticos para as eleições proporcionais (deputados federais, estaduais e vereadores). O projeto foi aprovado anteontem pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Apesar de algumas críticas, os entrevistados afirmam que não haverá prejuízo para suas siglas, mesmo se o projeto entrar em vigor nas próximas eleições.
‘‘Não posso deixar de contestar que essa chamada reforma política é um obstáculo à liberdade da organização partidária, principalmente porque, para as eleições majoritárias, o projeto de lei não coloca nenhuma barreira. Mas não prejudicará nossos projetos no Paranᒒ, afirmou ontem o presidente estadual do PSB, Severino Nunes de Araújo. Ele argumentou que a sigla está estruturada ‘‘em 50% dos municípios do Paranᒒ. ‘‘Partidos menores que o nosso deverão ser penalizados’’, acrescentou.
Apesar de pertencerem ao mesmo partido, o líder do PSB na Assembléia, deputado Ricardo Maia, tem opinião diferente. ‘‘Esse projeto é o começo do fortalecimento partidário e pode evitar as siglas de aluguel’’, avaliou. Ele lembrou que, em São Paulo, não fosse a coligação proporcional nas eleições do ano passado, o PSB teria elegido cinco deputados federais, ao invés de apenas Luíza Erundina. No Paraná, pelos cálculos do PSB, seria possível ter elegido mais um deputado estadual em 98 caso não houvesse coligação com o PSC.
Arquivo FolhaPrejuízoSeverino Araújo: ‘‘Partidos menores penalizados’’Para o presidente estadual do PPS, deputado Rubens Bueno, a proibição de coligações proporcionais é uma atitude ‘‘autoritária’’. ‘‘É uma vertente da ditadura contra o modelo de se fazer política e da liberdade de se organizar’’, criticou. Mas, segundo ele, do ponto de vista prático, seu partido não sai perdendo. ‘‘Vamos procurar chapa completa. Essa limitação pode até mesmo facilitar a formação de chapas’’, afirmou.
Na opinião de Bueno, os partidos que estiverem inchados deverão perder filiados como reflexo das decisões do Senado. ‘‘Muita gente vai correr para fora, tentar se filiar em partidos menores’’, previu.
Para o presidente estadual do PL, Edson Praczyk, a proibição de coligações nas proporcionais é positiva. ‘‘A pessoa que vai disputar o cargo de vereador, por exemplo, poderá trabalhar muito mais pelo seu próprio nome do que para a majoritária, quando fica enchendo a empadinha dos outros’’, comparou. Ele disse que a decisão, no entanto, forçará uma organização maior dos partidos.

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