Progressistas católicos tentam manter PT à esquerda
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domingo, 17 de novembro de 2002
Roldão Arruda<br> Agência Estado 
São Paulo - A chamada ala progressista da Igreja Católica, como é definido o grupo mais à esquerda do espectro político, tem ajudado o PT desde que ele nasceu. Agora, com a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva ao poder, teme que, por força das alianças que o partido fez durante a corrida eleitoral, não se mantenha fiel às suas bandeiras originais. Por isso pretende, além de apoiá-lo, ser uma força de pressão. Para a esquerda, obviamente.
''Ao lado dos movimentos sociais, podemos ser porta-vozes das urgências do povo'', define o bispo dom Demétrio Valentini, um dos mais engajados nas pastorais sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). ''Lula vai começar muito amarrado e o sistema faz força para amarrá-lo ainda mais, na tentativa de tornar irreversível a atual situação.''
Entre as urgências que os progressistas devem apresentar ao novo governo está a reforma agrária - que faz parte das bandeiras da CNBB desde 1980. Na opinião de Frei Betto, amigo de Lula e um de seus assessores no diálogo com os movimentos sociais, o sucesso do futuro governo será medido pelo seu desempenho na área agrária. ''Se não levar adiante um programa efetivo de reforma será um fracasso'', diz o religioso dominicano, autor de vários livros.
Está prevista para janeiro uma reunião ampliada da coordenação nacional das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), durante a qual também deverão ser avaliadas as relações dessa organização com o futuro governo.
As CEBs são estreitamente ligadas ao PT. ''Há uma ligação orgânica entre o PT e as CEBs'', diz o sociólogo Luiz Alberto Gómez de Souza, do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris).
É provável que as boas relações com PT permaneçam. Mas os conflitos serão inevitáveis. Os mais visíveis serão em torno da dívida externa e da Área de Livre Comércio para a América Latina (ALCA).


