Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) participou ontem da sessão solene de abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa com um discurso de quase uma hora sobre sua gestão. A linha base do seu texto foi a comparação com a gestão Lerner, que terminou em 2002. ''Embora o espaço de sete anos seja um breve tempo para corrigir distorções de há tempos acumuladas, avançamos. Na verdade, progredimos bem além do que considerávamos possível, diante de uma realidade tão dura, como a que se via a partir das janelas do Palácio Iguaçu, no dia 1º de janeiro de 2003. (...) Aliás, o próprio Palácio, com as suas gambiarras elétricas, infiltrações, tetos desabando, pisos soltos (...), reproduzia o que estava lá fora''. Na frase final, o tom eleitoral, em defesa da continuidade: ''Jamais retroceder. Todos os sacrifícios, todos os investimentos desses últimos anos não podem ser pulverizados por aqueles que já deram provas suficientes de que não gostam de pobres''.
O peemedebista falou sobre o investimento em pequenas empresas - ''zeramos o imposto das microempresas e reduzimos fortemente o imposto das pequenas'' - e sobre programas adotados pelo Estado, como o Leite das Crianças, o Tarifa Social, o Luz Fraterna. ''Saímos do mero assistencialismo para ações consistentes de promoção humana, de formação. E combinamos essas iniciativas com a criação de empregos, com uma política fiscal que estimula a produção, com o apoio à agricultura, especialmente à pequena propriedade rural, com fortes investimentos em saúde e educação''. Sobre a área da agricultura, o governador Requião destacou o investimento na produção familiar, e citou os programas Fundo de Aval, Trator Solidário e Irrigação Noturna.
Ele falou também da Copel, da Sanepar e do Porto de Paranaguá: ''Até hoje ainda ecoam aos ouvidos e cutucam a memória os discursos furiosos, os comentários arrebatados, os artigos e editoriais veementes contra a renegociação dos contratos. Criaram até um índice, o ''risco Requião''. O mais interessante é que, do outro lado da mesa, os espanhóis e norte-americanos, com quem a Copel mantinha os contratos, revelaram-se bem mais acessíveis aos nossos argumentos. Como se vê, a sabujice é uma obscenidade''.
Mas, a crise econômica mundial, reconheceu o governador Requião, teria influenciado nos planos: ''Na verdade, teríamos feito muito mais no ano passado e faríamos ainda mais neste ano se a crise não nos tivesse obrigado a andar mais devagar''. Ele acrescenta, contudo, que está ''otimista'' em relação ao Paraná. Mas, voltou a atacar a política econômica do governo federal: ''Como então ser otimista se a especulação vai continuar sobrepondo à produção? Como ser otimista se o Banco Central do Brasil, o Brasil por consequência, insiste em manter a nossa economia atrelada à especulação?''.
O presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, Carlos Augusto Hoffmann, também participou da sessão solene de ontem. As votações e discussões de matérias no Legislativo retornam hoje após um período de quase 40 dias de recesso.

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