Programas sociais não são suficientes para combater pobreza
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segunda-feira, 25 de maio de 2009
Jamil Chade, correspondente<br>Agência Estado 
Genebra - Em relatório divulgado ontem, a ONU critica as condições sociais no Brasil e alerta que os programas adotados desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não estão sendo suficientes para lidar com questões como desigualdade social, reforma agrária, moradia, educação e trabalho escravo. A ONU alerta que as populações mais pobres não estão sendo beneficiadas pelo Programa Bolsa-Família e pede a revisão, maior eficiência e universalização do benefício. Por fim, constata: a cultura da violência e impunidade ainda reina no País.
As recomendações apresentadas em Genebra estão sendo consideradas como uma avaliação do que foi o governo Lula em suas políticas sociais, a um ano e meio do fim de seu mandato. As críticas foram publicadas pelas Nações Unidas e são resultado da avaliação - que ocorre a cada cinco anos com cada país-membro - feita pelo Comitê pelos Direitos Econômicos e Sociais da entidade. O documento com as sugestões é resultado da avaliação dos peritos do comitê - que inclui o exame de dados passados pelo governo - e por cinco relatórios alternativos apresentados por organizações não-governamentais. Há duas semanas, o comitê convocou o governo brasileiro para ser sabatinado em Genebra. Os peritos querem que o Brasil traga os resultados dessas recomendações em sua próxima sabatina, em 2013.
Um dos principais pontos destacados pela ONU foi a questão da redução da pobreza e a eficiência dos programas oficiais, principalmente o Bolsa-Família. O comitê está preocupado que, apesar das contribuições significativas para a redução da pobreza, o Programa Bolsa-Família está sujeito a certas limitações, diz o relatório.
A ONU sugere que o Brasil amplie o Bolsa-Família para as camadas da população que continuam sem receber o benefício e insinua que o esforço não está chegando a quem mais precisa. Recomenda-se que medidas sejam tomadas para aumentar a eficiência do programa. Esse aumento de eficiência seria feito por meio de uma revisão dos mecanismos de acompanhamento do programa para garantir que todas as famílias pobres tenham acesso ao benefício. A ONU quer ainda garantias de que as famílias indígenas também sejam beneficiadas.
Os peritos sugerem que o governo aumente a renda distribuída pelo programa para garantir que os beneficiados possam desfrutar de seu direitos à alimentação e moradia. Em outras palavras, a avaliação é de que o atual valor não é suficiente.
No entanto, em nenhum momento a ONU sugere que o programa seja abolido e chega a sugerir que o governo considere transformar o programa em uma benefício universal para garantir uma renda
mínima, em especial para as populações marginalizadas. Durante a sabatina, os peritos alertaram que haviam recebido informações de que o programa não chegava a quem mais precisava. Não deram, porém, explicações de onde eram os dados.
Os peritos admitem avanços no combate à pobreza no País, mas insistem que a injustiça social prevalece. Para a ONU, o Brasil precisa intensificar seus esforços para reduzir as persistentes desigualdades entre regiões e pessoas.
Um dos pontos considerados críticos é a diferença de expectativa de vida e de pobreza entre brancos e negros. A sugestão da ONU é que o governo tome medidas mais focadas.
Outro ponto de preocupação é a informalidade. O comitê está preocupado com a alta proporção da população excluída de qualquer forma de segurança social, em especial o alto número de pessoas no setor informal da economia, alerta a ONU. A situação das empregadas domésticas é um dos pontos destacados. A ONU pede novas medidas nesse campo da segurança social. Outra medida seria a regularização dos trabalhadores atuando na informalidade para que possam desfrutar dos benefícios sociais.


