Programas sociais não são gastos, diz Lula
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quinta-feira, 10 de março de 2005
Rose Ane Silveira<br>Folhapress 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem uma reavaliação do critério de investimentos sociais no país. Segundo o presidente, os programas sociais do governo não podem ser considerados gastos, e devem ser avaliados como investimentos.
''Quando a gente dá uma Bolsa Família, uma Bolsa Escola, nós estamos fazendo um dos maiores investimentos neste país. Não é gasto, é investimento. Se a pessoa é bem nutrida, vai trazer saldo positivo, vai se transformar em um consumidor, em um trabalhador. Tratar isto como um gasto não é um hábito nosso, é um erro sociológico'', avaliou o presidente Lula.
O presidente defendeu esta mudança na avaliação dos gastos com programas sociais durante a primeira reunião do ano do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.
Lula reafirmou a importância do Conselho e elogiou o empenho dos seus integrantes. O presidente deu destaque especial à política externa e anunciou que em maio está programada uma viagem para Coréia e para o Japão.
Aos empresários brasileiros, o presidente fez um apelo para haver mais empenho em aumentar as relações comerciais com todos os países e incentivou os empresários para que viagem e invistam em especial na Coréia e no Japão.
''Temos que preparar uma grande caravana para o Japão. Eu já disse ao embaixador do Japão que tem que ter uma churrasqueira porque temos que fazer eles experimentarem a nossa carne. Depois de 28 anos, já estão importando a nossa manga e eu acho um avanço extraordinário'', declarou.
O presidente ressaltou que os países asiáticos já demonstram interesse em expandir as importações com o Brasil em produtos diversificados - como o etanol e o biodiesel.
Lula confirmou ainda que em maio, em Brasília, ''haverá uma grande reunião de chefes de Estado''. ''Estarão reunidos todos os chefes de Estado dos países árabes e da América do Sul. Queremos aumentar as relações comerciais'', acrescentou.
Sobre a reforma ministerial, informou Lula que ela só será concluída na próxima semana. Sobre os nomes dos novos ministros, Lula afirmou: ''Eu sou que nem técnico de futebol. Só na hora de entrar em campo vocês vão saber os nomes''.
A expectativa inicial era de que a reforma fosse anunciada amanhã. Problemas com o PT levaram o presidente a adiar a decisão. A demora tem causado a ''fritura'' de alguns ministros, como o da Saúde, Humberto Costa, o da Coordenação Política, Aldo Rebelo, e o da Previdência, Amir Lando, que estão em compasso de espera sobre as decisões presidenciais e se recusam a comentar a reforma. Anteontem à noite, Lula recebeu os representantes do PTB e depois o ex-presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP), para tratar da reforma ministerial.


