Programas na TV geram mais briga entre peemedebistas
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terça-feira, 12 de agosto de 2014
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
A queda de braço envolvendo os peemedebistas que apoiavam a coligação com o governador Beto Richa (PSDB) e aqueles mais próximos a Roberto Requião (PMDB) ganhou ontem mais um capítulo. Diante da iniciativa do senador de convocar uma reunião para sexta-feira com a intenção de dissolver o diretório do Paraná, hoje presidido pelo deputado federal Osmar Serraglio (PMDB), antes pró-Beto, os dissidentes incluíram nova pauta: uma suposta interferência do grupo de Requião na produção dos programas eleitorais, com veiculação prevista para 19 de agosto.
Segundo Serraglio, que esteve ontem na Assembleia Legislativa (AL) justamente para tentar "resolver a celeuma", militantes próximos ao candidato majoritário do partido estariam tentando controlar o conteúdo do horário proporcional. Mesmo a legislação vetando a participação direta de Requião no tempo dos postulantes à AL ou à Câmara, é possível, por exemplo, que a fotografia do ex-governador apareça ao fundo da tela, o que o deputado não quer.
"É um grupo xiita que está por trás do Requião e não está refletindo sobre as consequências que está levando para dentro do PMDB", acusou o parlamentar. "Eu suponho que eles querem o domínio de maneira que tenhamos de novo alguns privilegiados. Você pega os seus próximos e eles é que vão para a televisão", continuou, sem citar, contudo, quem exatamente estaria por trás da interferência.
Serraglio alega, ainda, que alguns de seus eleitores rejeitam a associação com o senador, motivo pelo qual produziu santinhos tanto com menções ao candidato do PMDB, como sem. Vice-líder do governo Dilma Rousseff (PT) na Câmara, ele também não possui materiais com fotos da presidente. "Ninguém é suicida. Primeiro você preserva a sua vida (no caso candidatura) e depois do outro."
De acordo com o assessor jurídico de Requião, Luiz Fernando Delazari, porém, "é evidente que há independência" na produção dos programas. "O que a gente quer é que o partido tenha, dentro do horário eleitoral, uma divisão democrática entre os candidatos e o respeito à candidatura própria", defendeu. "Isso (controle) é coisa da cabeça do Serraglio, que já decidiu não apoiar o senador Requião."
Polêmica
Entre os pontos a serem definidos na reunião de sexta-feira estão a eventual dissolução da comissão executiva estadual, com a nomeação de uma comissão provisória, e a revisão da decisão que liberou os peemedebistas para marcharem junto a membros de siglas adversárias na campanha. O grupo de dissidentes conta com as participações do ex-governador Orlando Pessuti e de Doático Santos, ex-aliado e hoje desafeto de Requião, que lançou o que chama de "Frente Ampla", para atacar o senador. Diferentemente de outras legendas, cujos sites fazem seguidas menções aos seus cabeças de chapa, a página do PMDB paranaense raramente traz notícias do candidato majoritário.
Segundo Delazari, o que se busca é defender o resultado soberano da convenção. "Infelizmente temos alguns setores da executiva que não cumprem a decisão, o que fere princípios democráticos e atrapalha o desempenho eleitoral. Se eles têm candidato em outro partido, têm de ir para outro partido." Serraglio, adiantou, contudo, que não deve renunciar da presidência do diretório. "Se quiserem me cassar, que me cassem. Vão fazer fora da lei e responder pelas consequências."


