''Suave'' no primeiro turno, o horário eleitoral em Londrina voltou essa semana com força total nas associações: se a equipe do ex-prefeito Antonio Belinati (PSL) aposta nele como ''o candidato do povo'' e no adversário como integrante de um ''esquema de maquinação dos poderosos'', o grupo de Nedson tenta associá-lo a um partido com histórico de luta. A avaliação é do doutor em sociologia e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ronaldo Baltar, que analisou a pedido da Folha os programas do segundo turno apresentados pelas duas coligações.
Baltar destacou os ataques desferidos pelos dois prefeituráveis, principalmente depois que o PT veiculou, na segunda e na terça, material de arquivo sobre a cassação e a prisão de Belinati. No programa de anteontem, o adversário contra-atacou chamando Nedson de ''raivoso'' e acusando-o de fazer um material ''sujo''. ''O Nedson resgatou o movimento pela moralidade na política tentando associar a imagem do Belinati à corrupção. Este, para se defender, associa a imagem do prefeito ao Governo Federal e alerta para uma possível 'maquinação dos poderosos' contra ele'', apontou, para completar: ''Não deixa de ser uma forma de desviar a atenção do eleitor das denúncias de que ele foi alvo, bem como dos processos que ele ainda responde'', disse.
Se para Baltar os pontos fortes do programa dos petistas são o histórico do partido e a possibilidade de se mostrarem obras da atual administração, o ponto fraco é justamente a figura do candidato. ''Com o Belinati é o contrário: muitos nem sabem o partido dele, mas, em compensação, tem muito mais empatia e se apresenta mais como um líder popular do que o Nedson'', analisou. De acordo com o professor, os programas de Belinati no segundo turno tem as edições mais personalizadas. ''No primeiro turno centraram na criação de uma atmosfera, agora estão explorando mais o domínio que ele tem da oratória'', observou.
O sociólogo acredita que os ataques que marcaram o início da semana não vão prevalecer no restante da campanha, até como forma do nome de um concorrente não ganhar publicidade do outro. ''Acho que a agressão está bem dosada, porque isso também saturaria o telespectador'', alertou.
Questionado se a propaganda na mídia ainda pode influenciar os eleitores indecisos, a 17 dias do pleito, Baltar foi enfático: ''Sim, até porque a diferença entre os dois, nas pesquisas, não está tão grande assim'', lembrou, referindo-se à pesquisa Brasmarket divulgada esta semana pela Folha. Nela, Belinati aparece com 44,1% das intenções de voto, contra 36,9% de Nedson. Como a margem de erro é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos, ficou configuardo o empate técnico entre eles.

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