Programa traz receita para crescer
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quinta-feira, 03 de setembro de 1998
Doca de Oliveira e Cláudia Carneiro Agência Estado 
FHC agregou ao programa de um segundo mandato as medidas que vêm sendo defendidas pela atual equipe econômica para acelerar o crescimento econômico do País: concluir as reformas constitucionais, simplificar o sistema tributário, aumentar as exportações, dar continuidade às privatizações, atrair capitais de longo prazo, sanear o déficit público nas três esferas de governo e reduzir gradualmente as taxas de juros até que se alinhem aos índices do mercado internacional.
Para os colaboradores de FHC, as oscilações da economia mundial não são apenas a crise russa, mas um movimento contínuo que deverá se prolongar.
O primeiro governo foi realizado num contexto de crise, justificou o coordenador do programa, Carlos Américo Pacheco, lembrando que a crise mexicana eclodiu poucos meses depois de FHC ter sido empossado. À exceção das exportações, a proposta de FHC é vaga ao definir os objetivos: traça metas e diretrizes, mas não projeta resultados.
Se reeleito, FHC espera encerrar o segundo mandato com exportações da ordem de R$ 100 bilhões. Para isso, vai investir no aumento da produtividade e da competitividade de bens e serviços; levar competitividade às regiões menos desenvolvidas; requalificar trabalhadores; desonerar as exportações e ajudar as pequenas e médias empresas.
Embora apresente um pacote de incentivos para aumento das exportações, o programa não indica como pretende resolver a dependência das importações. Para aumentar as exportações e sustentar o crescimento da economia, também as importações deverão crescer, avisa Pacheco. Segundo ele, as medidas serão mais soft do que hard.
No documento divulgado ontem, FHC reitera a importância da preservação da estabilidade econômica e prega o realismo. Uma das prioridades destacadas é a revisão no gerenciamento dos gastos do governo.
O mesmo indica o documento a respeito da reforma tributária, que deverá tornar mais racional o sistema atual para estimular o crescimento da economia. A idéia é eliminar as distorções da tributação indireta, o aumento da base de contribuintes, a simplificação de tributos e um esforço na melhoria dos moldes de arrecadação e fiscalização.
O programa também sinaliza a posição que o País deverá tomar no mundo. A política externa continuará focada na criação de condições favoráveis ao desenvolvimento. Entre as diretrizes, estão a consolidação do Mercosul, a ampliação da relações com a União Européia (UE) e outras regiões, e a promoção da paz e do desenvolvimento mundiais.


