Programa do PSDB tenta esclarecer pacote fiscal
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sábado, 22 de novembro de 1997
Agência Estado Brasília 
A direção nacional do PSDB convocou o presidente Fernando Henrique Cardoso para recuperar a imagem do partido e do governo, arranhada pela crise financeira internacional e pela má comunicação do Executivo no anúncio do pacote de ajuste fiscal. Os tucanos decidiram entregar a seu mais ilustre representante os 20 minutos de propaganda eleitoral gratuita a que o partido tem direito este ano. Tudo para que Fernando Henrique faça a defesa do Real e de suas medidas.
O programa do PSDB, que vai ao ar em horário nobre na quinta-feira, dia 27, foi gravado ontem na biblioteca do Palácio da Alvorada. Os marqueteiros do PSDB terão de editar cerca de uma hora de gravação na qual o presidente responde a 20 perguntas de populares escolhidos nas ruas de pelo menos duas capitais de cada região do País. São garçons, camelôs, taxistas, entregadores de pizza e microempresários que dividem angústias e dúvidas semelhantes. Querem saber se o Real acabou e o que o governo fará para baixar as taxas de juros e de desemprego.
Vestindo um blazer bege e uma camisa azul, o presidente respondeu à seleção de perguntas vindas de São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Salvador, Belém, Porto Alegre e Goiânia. Durante as quase três horas consumidas na gravação, foi otimista nas respostas. Não vamos ignorar as dificuldades do momento, mas teremos um programa para cima, no qual o presidente justificará as medidas que tomou como única alternativa para o País, resumiu o secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio Neto (AM). Nós dedicamos o programa ao tucano-mor em função do momento, para que ele esclareça o que está acontecendo e explique que não houve mudança de rumo, ponderou o secretário-executivo do PSDB, Paulo Pedrosa.
Se não mudou o rumo do governo, a crise alterou por completo o programa do PSDB. Até a queda das bolsas de valores internacionais, os dirigentes do partido produziam um programa para mostrar a social democracia em ação. A idéia era divulgar as ações do governo no contexto da doutrina social-democrata, da merenda escolar ao médico de família.
Atropelados pela crise, até os sete governadores tucanos foram cortados do programa. A cúpula do PSDB concluiu que o presidente seria o único capaz de pôr um ponto final nas dúvidas da população. Fernando Henrique terá 19 dos 20 minutos do programa para explicar o que o eleitor quer saber. Além da vinheta de abertura, apenas o presidente do partido, senador Teotônio Vilela (AL), aparecerá nos 30 segundos finais para encerrar o programa.


