A coordenação de campanha do candidato à reeleição Fernando Henrique Cardoso admitiu ontem que o programa de governo, lançado há sete dias, terá que ser revisto em função do ajuste fiscal anunciado ontem. ‘‘O programa de governo vai ser executado de acordo com as circunstâncias do momento’’, afirmou o coordenador político da campanha, Euclides Scalco. Todas as metas do plano de governo para o enventual segundo mandato foram elaboradas em sincronia com o Orçamento de 1999, que acaba de sofrer cortes.
Como o programa não define prazos para o cumprimento das promessas, os assessores de Fernando Henrique consideram que as metas podem sofrer a retração da economia, mas são ‘‘aplicáveis’’ até o final dos quatro anos de governo. A geração de 7,8 milhões de empregos, por exemplo, é posta como desafio para todo o segundo mandato de Fernando Henrique, argumentam.
Apesar de a crise ter afetado o programa de governo, ela ainda é mantida a certa distância da campanha do presidente-candidato. Essa estratégia foi reforçada pelas últimas pesquisas que apontam o presidente como o mais preparado entre os candidatos para enfrentar a crise. Por isso mesmo, a campanha vai explorar a imagem do presidente ao lado de líderes mundiais, como o presidente americano Bill Clinton e o primeiro-ministro inglês Tony Blair.
A idéia dos coordenadores da campanha tucana é manter a vantagem que Fernando Henrique tem sobre seu adversário do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, associando sua imagem à de única liderança nacional com condições reais de articular saídas da crise com líderes das grandes potências do mundo. Em último caso, se a oposição aumentar suas críticas ao governo e explorar a crise de forma mais agressiva, os assessores de Fernando Henrique guardam um trunfo: vão exibir no programa de televisão as pesquisas que mostram que a população acredita mesmo em Fernando Henrique para governar o Brasil em momento de turbulências.
Por enquanto, as soluções para a crise não serão tratadas no programa de rádio e televisão. ‘‘Esse não é um problema do candidato, é um problema do presidente que já mostrou estar gerindo o assunto de forma competente’’, afirmou o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha. ‘‘Não há razão para modificarmos a estratégia de campanha: no programa de rádio e TV, Fernando Henrique falará de seu programa do governo e defenderá o real de todo ataque’’, sustentou Euclides Scalco. A modificação, no entanto, poderá ocorrer se a conjuntura internacional piorar nas próximas duas semanas.

mockup