Programa de governo do presidente e candidato do PSDB será revisto
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terça-feira, 08 de setembro de 1998
Cláudia Carneiro e Gerson Camarotti Agência Estado 
A coordenação de campanha do candidato à reeleição Fernando Henrique Cardoso admitiu ontem que o programa de governo, lançado há sete dias, terá que ser revisto em função do ajuste fiscal anunciado ontem. O programa de governo vai ser executado de acordo com as circunstâncias do momento, afirmou o coordenador político da campanha, Euclides Scalco. Todas as metas do plano de governo para o enventual segundo mandato foram elaboradas em sincronia com o Orçamento de 1999, que acaba de sofrer cortes.
Como o programa não define prazos para o cumprimento das promessas, os assessores de Fernando Henrique consideram que as metas podem sofrer a retração da economia, mas são aplicáveis até o final dos quatro anos de governo. A geração de 7,8 milhões de empregos, por exemplo, é posta como desafio para todo o segundo mandato de Fernando Henrique, argumentam.
Apesar de a crise ter afetado o programa de governo, ela ainda é mantida a certa distância da campanha do presidente-candidato. Essa estratégia foi reforçada pelas últimas pesquisas que apontam o presidente como o mais preparado entre os candidatos para enfrentar a crise. Por isso mesmo, a campanha vai explorar a imagem do presidente ao lado de líderes mundiais, como o presidente americano Bill Clinton e o primeiro-ministro inglês Tony Blair.
A idéia dos coordenadores da campanha tucana é manter a vantagem que Fernando Henrique tem sobre seu adversário do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, associando sua imagem à de única liderança nacional com condições reais de articular saídas da crise com líderes das grandes potências do mundo. Em último caso, se a oposição aumentar suas críticas ao governo e explorar a crise de forma mais agressiva, os assessores de Fernando Henrique guardam um trunfo: vão exibir no programa de televisão as pesquisas que mostram que a população acredita mesmo em Fernando Henrique para governar o Brasil em momento de turbulências.
Por enquanto, as soluções para a crise não serão tratadas no programa de rádio e televisão. Esse não é um problema do candidato, é um problema do presidente que já mostrou estar gerindo o assunto de forma competente, afirmou o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha. Não há razão para modificarmos a estratégia de campanha: no programa de rádio e TV, Fernando Henrique falará de seu programa do governo e defenderá o real de todo ataque, sustentou Euclides Scalco. A modificação, no entanto, poderá ocorrer se a conjuntura internacional piorar nas próximas duas semanas.


