O programa básico dos partidos de esquerda para a eleição presidencial de 1998, que está pronto, propõe a aproximação entre o governo e os cidadãos, com a realização frequente de plebiscitos (a cada dois anos), o combate ao desemprego, a reforma agrária com o assentamento imediato de 1 milhão de famílias, o combate aos juros altos e o fortalecimento das pequenas e médias empresas. Trata-se de um documento de cerca de 30 páginas, elaborado por políticos e técnicos do PT, PDT, PSB e PC do B, para a eventual candidatura do presidente de honra petista, Luiz Inácio Lula da Silva.
Os partidos de esquerda, segundo o documento, apoiarão a estabilidade do real, mas descartarão o dólar ou qualquer moeda estrangeira como âncora da política monetária, segundo o presidente do PDT do Rio, Vivaldo Barbosa. ‘‘A estabilidade terá de se basear numa economia forte, num estado racional, sólido, autônomo e soberano’’, avisou. ‘‘Não podemos ficar à mercê dos movimentos especulativos no exterior. A oposição vai defender, na campanha, a reforma tributária, com a tributação progressiva da renda, da riqueza e da herança, e prometer que os trabalhadores e a classe média terão os impostos reduzidos.
Uma das propostas polêmicas dos partidos de esquerda diz respeito à criação de um imposto sobre os lucros das empresas privatizadas para ser investido na criação de postos de emprego para a juventude, idéia copiada dos governos socialistas de Tony Blair (Inglaterra) e Leonel Jospin (França). Na área de educação, as esquerdas elegeram, como prioridade, o turno único (tempo integral) - como o adotado nos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) no governo Leonel Brizola (PDT) no Rio. Também foi encampada a tese do orçamento participativo, adotada nas administrações petistas e que permite ao cidadão eleger as prioridades de gastos do governo. Na saúde, o programa destaca a formação dos médicos de família, para atender, a domicílio, as comunidades dos bairros e pequenas cidades.
O sistema previdenciário, segundo os partidos de esquerda, deverá ser fortalecido como instrumento de poupança interna, multiplicando a capacidade de poupança do País, com a previdência complementar. A Previdência pública será mantida para quem ganha até dez salários mínimos. De acordo com Vivaldo Barbosa, representante do PDT na elaboração do projeto, ‘‘será mantido o compromisso com a estabilidade da moeda, ancorada numa economia forte e não numa moeda estrangeira’’.
Para os partidos que deverão formar a base de apoio a Lula, segundo o documento, é fundamental que o governo combata os juros altos e adote uma política especial de juros e créditos para as pequenas e médias empresas. Reduzir o número de medidas provisórias (MPs) e consagrar a prática dos plebiscitos é outra promessa das esquerdas para fazer frente à candidatura do presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição. Pela proposta, os eleitores, nos plebiscitos, poderão participar das decisões, de âmbito nacional, como as referentes à política cambial, monetária, criação ou extinção de impostos, privatização de empresas, e da esfera local (que concerne aos problemas dos municípios).
O documento foi entregue aos partidos, cujos líderes discutirão e aprofundarão os principais itens. Participaram da elaboração do programa Aloízio Mercadante e Marco Aurélio Garcia, do PT; Vivaldo Barbosa e Hésio Cordeiro, do PDT; Saturnino Braga e Célio de Castro, do PSB; Sérgio Miranda e Renato Rabello do PC do B.

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