Profissão: vereador
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sábado, 05 de junho de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Eles passam 12, 16, 20, até 30 anos nas câmaras municipais. Poderíamos até afirmar que existe hoje no Brasil a categoria de ''vereadores de carreira'' que só não se aposentam por tempo de serviço por inexistir previdência para o Legislativo municipal. Londrina tem um campeão de mandatos. Renato Silvestre Araújo (PP) já cumpriu sete mandatos e é pré-candidato nas próximas eleições. Curitiba possui uma das menores taxas de renovação no Legislativo. Em 2000, 24 dos 35 vereadores permaneceram em seus cargos (32% de renovação). Desse número, três vereadores estão há cinco legislaturas na Casa e outros sete, há quatro. Em 1996 a história não foi diferente, o índice de renovação foi de 34%. O município de Cambé (13 km a oeste de Londrina) também teve maioria reeleita em 2000, com 40% de renovação. O maior índice de renovação em 2000 foi em Maringá, com 77%.
O acúmulo de mandatos, muitas vezes consecutivos, já virou rotina. Na Capital, 16 dos 35 vereadores possuem mais de três legislaturas. Sete dos 21 vereadores de Ponta Grossa possuem entre três e cinco mandatos. Em Maringá, seis vereadores estão nessa categoria; enquanto em Cascavel há cinco e em Foz do Iguaçu, três. Na vizinha Cambé, que possui 15 parlamentares, cinco deles estão há mais de 12 anos na Casa. Esses dados revelam que, em média, 30% do Legislativo municipal é formado por vereadores com mais de três mandatos.
Para o professor de Ciências Políticas, Sérgio Braga, o índice de renovação tende a ser menor nas eleições municipais. Docente da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Braga afirma que ''há uma forte relação de clientelismo entre o vereador e o eleitor''. ''O vereador é avaliado pela capacidade de trazer recursos para os bairros e não pela capacidade de falar. É uma relação menos politizada'', descreve. Braga acrescenta que essa relação acarreta o domínio dos partidos conservadores nos legislativos municipais. ''Londrina tem um prefeito do PT mas apenas dois vereadores são desse partido. Os partidos de esquerda tendem a ser menores nas câmaras municipais'', analisa.
Uma transformação, na visão do professor, só poderá acontecer a longo prazo. ''A mudança é lenta. O eleitor é majoritariamente conservador. Só com a sociedade se modernizando é que a qualidade do político pode melhorar. Os políticos brasileiros são ruins porque o eleitorado é ruim'', avalia. Para evoluir, Braga cita que seria necessário aumentar o nível educacional e modificar a legislação eleitoral brasileira. ''A maior fonte de corrupção são as caixinhas de campanha. No Brasil, os partidos não têm controle sobre os candidatos'', critica.


