Curitiba - Passar o dia na rua, em pé, empunhando uma bandeira ou distribuindo panfletos. É essa a rotina das centenas de pessoas empregadas na campanha eleitoral desse ano. Tudo isso para ganhar de R$ 10,00 a R$ 25,00 por dia mais vale-refeição e vale-transporte. Os gastos com equipe de rua devem aparecer nas prestações parciais de contas das campanhas, que deverão ser entregues a partir de hoje à Justiça Eleitoral. O prazo termina no dia 6 de agosto.
''A contratação de pessoas para trabalhar na campanha de rua pode ser feita por meio de contrato de serviço eventual autônomo ou registro em carteira de trabalho por tempo determinado'', explica a gerente de atendimento da Central do Profissional Autônomo da Agência do Trabalhador, Adriana Porto. Em ambos os casos o Comitê Político deve recolher 20% do salário base e descontar outros 11% do funcionário de Contribuição Previdenciária.
Segundo Adriana, nas eleições de 2006 a Agência do Trabalhador intermediou a contratação de dois mil profissionais. ''Mas este ano a campanha ainda está morna. Não intermediamos nenhuma contratação ainda'', conta. ''A contratação de pessoal para prestação de serviços em campanhas políticas é um caso especial que não gera vínculo empregatício.'' Por isso os contratados precisam se registrar na Previdência como contribuintes individuais.
Apesar da sensação de campanha ''morna'', alguns candidatos já colocaram a campanha na rua. A Coligação ''Curitiba Para Todos'', encabeçada por Gleisi Hoffmann (PT), tem 300 pessoas nas ruas. ''Todo mundo é registrado e ganha o salário mínimo regional'', diz o coordenador da campanha, André Passos, o que significa algo em torno de R$ 20,00 por dia, mais a refeição e o transporte.
No PMDB, do candidato a prefeito Carlos Moreira Júnior, as primeiras semanas de propaganda eleitoral devem contabilizar o pagamento a cerca de 60 panfleteiros. ''Pagamos R$ 25,00 por dia, mais almoço e transporte'', conta Rasca Rodrigues, coordenador da campanha. Segundo ele, a chapa também investiu na montagem dos comitês, na infraestrutura, em impressos e marketing. Rasca não quis falar em valores. ''Isso ainda está sendo consolidado'', diz. ''A nossa é a campanha do tostão contra o milhão'', ironiza.
Na Coligação ''Uma Só Curitiba'', liderada por Fábio Camargo (PTB), a prestação de contas deve incluir basicamente gastos com comitês e material de campanha. ''Ainda não contratamos panfleteiros porque a campanha não foi para a rua'', avalia Matheus Maranhão, que coordena os trabalhos. ''Mas vamos contratar cinquenta pessoas na semana que vem'', adianta. O salário: R$ 10,00 por dia mais alimentação e transporte. Segundo Maranhão até o momento foram arrecadados R$ 50 mil e gastos R$ 30 mil.
No PSOL, que tem como candidato Bruno Meirinho, a informação é de que até o momento foram arrecadados R$ 5 mil e gastos no mesmo valor. Segundo Bernardo Pilotto, coordenador do comitê financeiro, a coligação não contrata equipe de rua e conta basicamente com militantes voluntários. ''Somos contra a precarização do trabalho que isso representa.''
A equipe que trabalha na campanha de Ricardo Gomyde (PC do B) também é, segundo os coordenadores, quase inteiramente composta por voluntários. ''Não temos recursos, então temos que contar com os militantes'', diz Manoel Barbosa, advogado da coligação. Barbosa não soube informar o valor das doações recebidas até o momento, nem os gastos.
''Só fizemos um mínimo de santinhos e adesivos porque nossa campanha é ecologicamente correta'', explica Raphael Rolim de Moura, presidente do comitê financeiro único do PV. A prestação de contas do partido é a única que já está disponível na internet. ''Fazemos uma divulgação permanente de todas as movimentações financeiras do comitê desde 2004.'' A campanha já arrecadou R$ 14 mil e gastou R$ 8 mil.
A coordenação da campanha do atual prefeito, Beto Richa (PSDB), não quis comentar o assunto. Já o candidato do PT do B, Lauro Rodrigues, diz que até o momento só gastou ''sola de sapato''. ''É uma campanha bem pobre. Só gastamos um mínimo em material e em combustível'', conta.

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