Profis passa após confusão provocada por emenda
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terça-feira, 15 de setembro de 2015
Luís Fernando Wiltemburg<br> Reportagem Local 
Depois de quase três horas de discussão, a Câmara de Londrina aprovou ontem, em segunda votação, o Programa de Regularização Fiscal (Profis) que dará anistia de juros e multas a devedores. A confusão ficou por conta de uma alteração na emenda proposta por Jamil Janene (PP) feita pela Comissão de Justiça e Redação, a pedido da Secretaria da Fazenda da Prefeitura de Londrina, anteontem.
A emenda de Janene foi apenas uma das sete propostas as restantes foram apresentadas pelo Executivo (1), duas por Emanoel Gomes (PRB) e três por Mário Takahashi (PV). A Comissão de Justiça, entretanto, deu parecer contrário às duas de Gomes, a duas de Takahashi e só deu parecer favorável à de Janene mediante uma subemenda.
A proposta do pepista amplia o benefício de anistia de 100% sobre multa e juros para pagamentos à vista e de 60% para parcelamentos até o dia 22 de dezembro a quem tem débitos de até R$ 5,1 mil. Para os outros devedores, permanece o escalonamento de descontos que reduz à medida que se aproxima o fim do programa neste caso, dia 18 de dezembro. Segundo o autor, a proposta beneficia o pequeno devedor que poderá utilizar o 13º salário para quitar os valores.
A subemenda, entretanto, altera o termo débito por dívida e estipula que a ampliação da isenção total será concedida por inscrição cadastral ou seja, para cada CNPJ, no caso de regularização de Impostos Sobre Serviços (ISS), ou para cada cadastro imobiliário, no caso de Imposto Predial e Territorial Urbano.
A nova redação provocou a indignação de Janene, que chegou a ameaçar retirar sua emenda sem a qual não havia quórum para aprovação, segundo as contagens de voto do Executivo. Para o autor, a troca do termo "débito" por "dívida" traria prejuízo a parte dos possíveis beneficiados, excluindo quase 4,5 mil.
Para ele, "débitos" referem-se apenas ao valor líquido, enquanto "dívida" seria o valor somado a juros e multas. O projeto de lei, entretanto, define o primeiro termo, mas não o segundo.
No entendimento da presidente da Comissão de Justiça, Elza Correia (PMDB), a alteração feita vai ampliar o acesso ao benefício entre pequenos devedores em sua compreensão, o termo débito refere-se a cada montante devido, enquanto a dívida seria a soma de todos os débitos.
Ela ainda reclamou do trâmite do projeto de lei, ao qual o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) pediu regime de urgência, prejudicando o debate. "Nenhum vereador votou satisfeito porque a medida é antipática a quem paga em dia", assumiu a parlamentar. "Mas o Profis, devido à ausência da revisão da planta de valores, é necessário", complementou. Os valores a mais, defende, não são para "tapar rombo", mas para dar garantias de que a administração municipal vai honrar suas obrigações até o fim do ano.
O secretário da Fazenda, Paulo Bento, afirmou que a subemenda trouxe esclarecimentos sobre quem tem a possibilidade de anistia maior por tempo estendido, garantida aos devedores de baixa renda. Ele ainda afirma que a expectativa é que o atendimento para o Profis comece em 1º de outubro, mas orientou os contribuintes que já consultem sua situação junto à prefeitura ou pelo site na internet.
Com a emenda de Janene, a Fazenda espera que 7 mil devedores regularizem a situação perante o fisco, com arrecadação total de R$ 29,4 milhões. A renúncia fiscal seria da ordem de R$ 15,8 milhões pouco acima das projeções iniciais, antes da emenda, de R$ 28,2 milhões de arrecadação esperada e R$ 15 milhões de renúncia. Os valores, entretanto, são baixos quando comparados com o total de dívidas: desde 1979, são R$ 365,7 milhões de IPTU devidos por 54,6 mil cadastros e R$ 781,5 milhões devidos de ISS por 40,6 mil inscritos.


