Professores vaiam Álvaro e Beto Richa
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quinta-feira, 15 de agosto de 2002
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba O senador Alvaro Dias (PDT) e o vice-prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB) passaram por momentos nervosos no debate realizado ontem pela Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato) com os candidatos ao governo do Estado. Os dois chegaram a ser vaiados após tentarem rebater críticas formuladas pelos professores presentes. O debate foi mediado pelo jornalista Paulo Ubiratan, chefe de jornalismo da rádio CBN-Londrina.
Governador em 1988, quando a Polícia Militar (PM) entrou em conflito com professores na frente do Palácio Iguaçu, Alvaro acabou passando pelos momentos mais constrangedores. Ao contrário do que vinha sendo dito pelo senador à opinião pública, a classe docente mostrou mais uma vez que não esqueceu do incidente de 14 anos atrás.
A primeira manifestação contra o pedetista surgiu após uma declaração do candidato do PSTU ao governo, o professor Claudemir Figueiredo. Logo em sua primeira intervenção no debate, Figueiredo lembrou de sua participação no conflito. ''Talvez quem bateu não lembre, mas eu que estava lá e apanhei, não esqueci'' provocou. A frase fez praticamente o auditório inteiro aplaudir o candidato.
Enquanto exercia seu direito de resposta ao ataque, Alvaro chegou a ser vaiado ao afirmar que os professores não deixariam que o episódio fosse utilizado politicamente por seus adversários. O senador só conseguiu acalmar os ânimos da platéia ao sair para o ataque contra os governos de Jaime Lerner (PFL) e do senador Roberto Requião (PMDB), que não compareceu ao debate por problemas na garganta.
''No meu governo, lutamos na Justiça para punir os responsáveis pela afronta aos direitos humanos. E o que dizer dos governos que produzem um Teixeirinha ou nos quais encontramos cadáveres de trabalhadores rurais nas beiras das estradas e que não fizeram nada para reparar os danos causados?'', questionou Alvaro. Teixeirinha era o apelido do líder sem-terra Diniz Bento da Silva, morto durante uma ação de desocupação comandada pela PM, em 1993, em pleno governo Requião.
A saia-justa de Beto Richa veio em seguida. Beto mostrou que, apesar de estar preparado para rebater as acusações de que seria o candidato oficial do governador Jaime Lerner (PFL), precisa de mais treinamento quando o assunto é seu pai, o ex-governador José Richa. O assunto foi trazido à tona em uma pergunta endereçada ao candidato do PT, Padre Roque Zimmermann, quando a entrevistadora relembrou que José Richa havia apoiado a primeira eleição de Jaime Lerner ao governo, em 1994.
Alterado, Beto Richa decidiu usar seu tempo de resposta para retrucar a afirmação. ''Meu pai apoiou Lerner, mas a maioria dos professores também o apoiou em seu primeiro mandato'', afirmou. A lembrança do fato não caiu bem para a maioria dos docentes presentes que vaiou o vice-prefeito.


