Professores rejeitam escalonamento
James Alberti
De Curitiba
Os professores da rede estadual de ensino do Paraná prometeram ontem forte reação ao escalonamento, de acordo com a faixa salarial, do pagamento do terço de férias anunciado anteontem pelo governo do Estado. A APP-Sindicato considera inconstitucional o parcelamento e pretende fazer manifestações públicas a partir dos dias 14 e 15 deste mês, quando os professores voltam ao trabalho.
Ontem os sindicalistas distribuíram folhetos e mostraram cartazes criticando a medida do governo. O protesto, realizado em frente a agência do Banestado, na Alameda Doutor Muricy, no centro de Curitiba, teve participação de cerca de 20 pessoas. É uma mobilização emergencial, pois os professores estão em férias, disse Maria Helena Guarezi, presidente do núcleo sindical de Curitiba e região metropolitana da APP-Sindicato.
Segundo Maria Helena, o escalonamento viola o artigo 7º inciso XVII da Constituição Federal, que prevê o gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal. O impasse, porém, não é recente. No ano passado, o governo tomou a mesma medida e foi proibido pelo Tribunal de Justiça do Paraná de fazer o escalonamento. A decisão foi tomada pelo presidente do TJ, Sydney Zappa, no dia 26 de agosto de 1999. Ontem Zappa não quis comentar a nova investida do governo.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, informou que os servidores que ganham até R$ 319,00 serão os primeiros a receber o terço de férias. O sindicato acredita que 40% dos cerca de 65 mil professores se enquadrem no limite. Os demais funcionários públicos devem receber entre fevereiro e setembro.
A assessoria do governo não soube informar ontem se a Procuradoria do Estado tinha recorrido da decisão da presidência do TJ, que proibiu o escalonamento. Tão pouco conseguiu uma posição do governo em relação a inconstitucionalidade da medida. A Folha tentou entrevistar o procurador do Estado, Joel Coimbra, mas ele não foi encontrado.





