Professores que agrediram Covas são libertados
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sábado, 17 de junho de 2000
Agência Folha De São Paulo 
Os três professores presos após o confronto com o governador do Estado, Mário Covas, na Praça da República em São Paulo, no último dia 1º, foram libertados na noite de sexta-feira. Com base em um pedido do Ministério Público, o Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo) determinou ontem o relaxamento do flagrante dos professores. Um oficial de Justiça levou o alvará de soltura ao 13º DP (Casa Verde), por volta das 21 horas. Alguns minutos depois eles foram soltos.
Após 16 dias na prisão sob as acusações de lesão corporal, danos ao patrimônio público, desacato e resistência Marcos Menin, de 31 anos, Cláudio Augusto da Rocha, de 34, e Cleosmire Gonçalves dos Santos, de 37, estavam abatidos e aparentavam cansaço.
Eles não quiseram falar com a imprensa, mas o professor de Geografia Menin, chegou a mencionar que estava acompanhando o processo pelo rádio e aguardava com ansiedade ser solto. O professor ligou para a noiva assim que foi solto. Santos e Rocha disseram estar muito cansados e pediram para falar com a imprensa em um outro momento.
De posse do auto da prisão em flagrante, o Ministério Público concluiu que muitas diligências seriam necessárias para iniciar a ação penal. E que, se os professores continuassem presos, isso traria um constrangimento ilegal, afirmou o advogado do Departamento Jurídico da Apeoesp (sindicato dos professores), César Rodrigues Pimentel.
O Ministério Público pediu, com base nessa ilegalidade, o relaxamento do flagrante. O Departamento Jurídico da Apeoesp, que acompanhou o inquérito desde o início, informou que a prisão dos professores foi política e arbitrária.
Segundo a Apeoesp, os três são réus primários e os advogados do sindicato estão apurando várias irregularidades na conduta da polícia em relação à prisão e ao inquérito. Os professores foram mantidos no 13º DP porque, como ainda havia greve, eles representariam um perigo para a ordem pública.
Ontem, o governador Mário Covas disse que resolveu não aceitar mais provocações de manifestantes em eventos públicos. Prometi a mim mesmo que não vou dar mais atenção a essas coisas, que não vou entrar em polêmica, afirmou ele em discurso para moradores do Jardim Verônia (Ermelino Matarazzo, Zona Leste de São Paulo) onde inaugurou um Centro de Policiamento Comunitário e entregou sete ambulâncias ontem pela manhã.


