A decisão de afastar Jackson Testa e Mauro Ticianelli pegou de surpresa ontem de manhã os poucos professores que estavam reunidos anfiteatro do campus universitário, discutindo uma forma de mobilização até uma decisão sobre a crise. No final da manhã, os professores Luiz Carlos Bruschi e César Caggiano Santos foram informados sobre a decisão, por telefone, pelo secretário Ramiro
Wahrhaftig.

''Nós só sabemos que vieram informações do governo solicitando a convocação do Conselho Universitário'', dizia o médico Pedro Gordan, professor escolhido, na quarta-feira, pelo conselho como reitor interino. Ele afirmou que não ficará magoado, caso não seja indicado pelos conselheiros ou escolhido por Lerner. ''Eu sou um servidor do conselho e da universidade. Na hora em que a UEL precisar dos meus serviços em quaisquer circunstâncias, estarei à disposição''.

Caggiano, que presidiu a Comissão Especial que investigou as denúncias de irregularidades na UEL, não confirmou se irá colocar seu nome à escolha dos conselheiros. ''Acredito que não. Pelo nosso estatuto, nessa lista provavelmente estarão os membros do Conselho de Administração que também são membros do Conselho Universitário'', comentou.

Segundo Caggiano, Wahrhaftig e o governador se reuniram ontem de manhã, quando decidiram tomar uma posição imediata para conter o avanço da crise na UEL. Ele não quis polemizar com Testa, que fez acusações contra a comissão. Segundo ele, o trabalho não teve caráter pessoal, ficando resumido a denúncias de irregularidades.

Bruschi disse que a decisão do governo foi a melhor saída para a crise da instituição. ''Nós vamos obedecer os prazos regimentais estatutários, com reunião fechada e fazer as indicações. Foi um encaminhamento político e sereno que resolve em poucos dias o problema da universidade''.

Para Kennedy Piau, membro da Comissão Especial, o afastamento de Testa reafirmou a decisão do conselho, que já havia encaminhado um documento ao governo sobre a decisão tomada quarta-feira. ''Agora vamos reunir o Conselho Universitário para dar os encaminhamentos sugeridos pelo governo do Estado''. Piau lembrou que também será necessário formalizar as comissões dos processos administrativos, aprovadas anteriormente pelo conselho. Os grupos vão investigar as irregularidades apontadas pela Comissão Especial. (L.R.)

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