Curitiba - Os professores das escolas públicas estaduais prometem paralisar hoje as aulas em todos os colégios do Paraná em protesto ao veto de um artigo do Plano de Cargos e Salários que não concede o reajuste à categoria retroativo a fevereiro e que só vai entrar em vigor a partir de maio. O governador Roberto Requião (PMDB) reafirmou ontem, na reunião semanal do secretariado, que o aumento a partir de fevereiro não é possível em função da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e que os professores estão, na verdade, ''sendo ingratos'' e que possíveis protestos o deixam ''indignado''.
Para Requião, a APP, entidade que representa os professores no Paraná, ''parece esquecer que o dinheiro do Estado é para todas as categorias e não só para os professores''. Na semana passada, o governo ameaçou recolher o Plano de Cargos e Salários e descontar eventuais dias parados caso os professores decidam entrar em greve. ''Essa ameaça de greve me constrange e demonstra ser uma manobra da burocracia sindical para se manter'', declarou o governador.
Na reunião semanal, o secretário da Educação, Maurício Requião, detalhou o novo plano e destacou o restabelecimento da isonomia entre ativos e inativos e o fim da distinção entre carreira de professor e de especialista.
O secretário de Estado da Fazenda, Heron Arzua, explicou mais uma vez que caso o plano fosse aplicado retroativo a fevereiro extrapolaria de 49% para 52,28% o orçamento da LRF, o que é ilegal. Contudo, a APP argumenta que esses cálculos estão errados e que isso já foi admitido pelos próprios técnicos da Fazenda. ''O Estado está colocando no orçamento de fevereiro todo o valor do plano (os R$ 267,7 milhões dos 12 meses de 2004 mais o 13º salário). E o correto é colocar o reajuste equivalente ao mês, R$ 22,3 milhões. Isso é uma forma de enganar a população'', afirmou o presidente da APP, José Lemos.
Segundo Lemos, a APP quer que o governo Requião admita o erro e venha negociar. Durante a paralisação que deve acontecer hoje, os professores seguirão numa manifestação marcada para esta manhã em Curitiba, do centro da cidade até a Assembléia Legislativa, onde vai ser votado o veto. Depois disso, os professores vão até o Palácio Iguaçu protestar. A Assembléia e o Palácio são vizinhos, no Centro Cívico. A APP sugere que o governador não revogue o abono de R$ 50 que beneficia hoje tanto os professores na ativa quanto na inativa para compensar o reajuste de fevereiro, março e abril. ''Essa seria uma forma de pagar ao longo dos meses. Porém, o governador não se pronuncia sobre isso e limita-se só a atacar'', argumentou Lemos.
Quanto a serem chamados de ingratos, Lemos diz que os professores reconhecem que o plano é bom e que outros itens da pauta foram atendidos, mas previa um orçamento de R$ 270 milhões e não R$ 201 milhões. ''Não é ingratidão. Foi acordado e tem que ser cumprido'', enfatizou. ''Os professores deveriam construir uma estátua em minha homenagem e não protestar'', ironizou Requião.

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