Professores fazem protesto em Curitiba
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sexta-feira, 30 de agosto de 2002
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba O governador Jaime Lerner (PFL) e o candidato do PDT ao governo, Alvaro Dias, tiveram um problema a mais para driblar ontem. Cerca de três mil professores da rede pública estadual participaram de um protesto de manhã, em Curitiba. Além de fazer uma série de reivindicações à atual administração, a manifestação teve o objetivo de relembrar os episódios que aconteceram no dia 30 de agosto de 1988, quando Alvaro era governador e a Polícia Militar usou bombas, cavalaria e cachorros para dispersar o movimento grevista que se concentrava em frente ao Palácio Iguaçu.
A manifestação começou às 9 horas com concentração na Praça Santos Andrade e seguiu em passeata pelas ruas do centro de Curitiba até o Palácio Iguaçu. Apesar de o Sindicato dos Professores da Rede Estadual (APP Sindicato) não ter recebido resposta a seu pedido de audiência com o governador, protocolado dia 16 de agosto, uma comissão de professores, funcionários e aposentados acabou sendo recebida pelos secretários do Governo, José Cid Campêlo Filho, e da Administração, Ricardo Smijitink.
Na reunião, o único aceno mais positivo às reivindicações veio do secretário Campêlo, que se comprometeu a ''analisar com carinho'' a extensão do abono de R$ 100,00 que foi dado para os professores da ativa em junho, também para os aposentados. Ficou acertada, ainda, uma nova reunião entre as partes para quinta-feira, às 10 horas, no Palácio. ''Acredito que pode haver avanços nesta negociação. Afinal, estamos esperando há oito anos e esperamos que nos últimos dias de sua gestão o governo mostre alguma sensibilidade'', afirmou o diretor da APP, José Valdevino de Moraes.
Entre os itens levantados na reunião, os servidores solicitaram que sejam incluídas vagas para orientadores e supervisores das escolas no concurso público anunciado na quinta-feira por Lerner. Os secretários também não apresentaram nenhuma resposta às outras reivindicações da categoria: reposição das perdas salariais acumuladas nos últimos sete anos, calculadas em 65% pelo Dieese; revitalização do Instituto de Previdência do Estado (IPE), já que os professores consideram o Sistema de Atendimento à Saúde (SAS), que está em vigor, ineficiente para atender funcionários de todo o Estado; compromisso de que a hora-atividade de 10% para 20% não será vetada pelo governador caso seja aprovada em segunda discussão na Assembléia e implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS).
Segundo a APP, várias escolas fecharam ontem em adesão ao movimento e mesmo onde houve aulas, representantes dos professores foram à manifestação. O ato aconteceu em clima tranquilo e criativo. Em meio a discursos e muita propaganda eleitoral de candidatos que aproveitaram o ato, os professores se organizaram de camisetas vermelhas, com escudos e cavalos de pau, numa tentativa bem-humorada de relembrar o dia 30 de agosto de 1988.


