Curitiba - Nos primeiros 100 dias de Beto Richa (PSDB) no governo do Paraná duas categorias de servidores do Estado já anteciparam as negociações com a nova administração, a dos professores e a dos policiais. Enquanto o primeiro grupo prioriza um aumento salarial, prometido por Beto ainda durante sua campanha eleitoral, no ano passado, a segunda categoria cobra a chamada dos ‘‘concursados’’ que estão na lista de espera.
Na primeira prestação de contas feita pelo atual secretário da Fazenda, Luiz Carlos Hauly, a avaliação é de que pouco se pode avançar na folha de pagamento de pessoal, que já se aproxima do limite imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), mas as duas categorias mantêm um cronograma de negociações.
‘‘Até agora, temos sido recebidos de forma positiva pelo governo do Estado. Na segunda-feira, já temos outra reunião com eles. O que se busca principalmente é a equiparação salarial do magistério com os outros servidores do Estado’’, explica Marlei Fernandes de Carvalho, presidente da APP Sindicato (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná).
Segundo Marlei, uma decisão da última quarta-feira do Supremo Tribunal Federal (STF) também deve afetar as negociações. Ela se refere à lei que autorizou um piso nacional aos professores, considerada constitucional pelo STF. ‘‘Para o magistério do Paraná, isto representa um ganho de 9,51%’’, informa ela. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que tentava derrubar o piso nacional tinha sido assinada por cinco Estados, entre eles o Paraná, ainda na gestão Requião.
O peemedebista argumentou na época que o piso nacional reduzia o salário dos professores do Paraná, que já receberiam mais do que o previsto na lei federal. ‘‘Os professores daqui só recebiam mais se as gratificações estivessem incluídas no cálculo’’, protesta Marlei.
Nos primeiros 100 dias de Beto Richa, a APP Sindicato também foi para um embate com o Estado, numa briga que chegou a atrapalhar o início do ano letivo em boa parte do Estado. O problema estava no resultado do chamado PSS, Processo de Seleção Simplificado, destinado à contratação de professores temporários.
Para Marlei, houve falha no sistema, o que provocou erros na classificação de mais de 8 mil candidatos em todo o Estado. Já o Estado alegou que as falhas foram individuais, ou seja, causadas pelo próprio candidato no momento em que ele se registrou no sistema. ‘‘Ainda estamos na Justiça tentando reverter isto. É uma pendência que temos com o Estado’’, afirma Marlei.

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