Professores do Estado não descartam greve mesmo com reposição de 5%
Projeto de lei enviado pelo governo Ratinho Junior foi aprovado pela Assembleia Legislativa, mas reajuste não agradou a categoria
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quarta-feira, 01 de abril de 2026
Projeto de lei enviado pelo governo Ratinho Junior foi aprovado pela Assembleia Legislativa, mas reajuste não agradou a categoria

Curitiba - A Alep (Assembleia Legislativa do Paraná) aprovou na terça-feira (31 de março) o projeto de lei enviado pelo governo para repor a inflação (data-base) aos servidores estaduais. A reposição será de 5% e valerá a partir de maio para 237 mil servidores ativos e inativos. O índice desagradou à APP-Sindicato, que representa professores e funcionários da rede estadual de ensino. A categoria aprovou um indicativo de greve no dia 14 de março e fará uma assembleia nos próximos dias.
A paralisação estava programada para começar no dia 23 de março, mas na semana anterior houve um avanço nas negociações com o governo e a categoria decidiu aguardar. As reivindicações incluíam reformulação na carreira do magistério, com equiparação salarial e correção das tabelas salariais, e enquadramento por tempo de serviço da carreira de funcionários de escola. De acordo com o sindicato, as perdas salariais do magistério somam 47% desde 2016.
“Nós esperávamos esses projetos, mas infelizmente tivemos a notícia de que não viria a reformulação da carreira. Isso para nós é bastante frustrante, para não dizer revoltante, uma vez que todas as carreiras foram reformuladas, menos a dos professores”, disse a presidente da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto.
O sindicato integrou um grupo de trabalho com representantes das secretarias estaduais de Fazenda, da Educação e da Administração para elaborar as propostas, que deveriam ser aprovadas até o dia 7 de abril – como é ano eleitoral, os governos não podem conceder reajustes ou benefícios depois deste período.
“Hoje, todos os servidores que ingressam com ensino superior têm um salário base de R$ 7.616 para 40 horas. O professor neste estado está recebendo R$ 4.920 para as mesmas 40 horas”, criticou Walkiria Mazeto. “Numa pesquisa recente nacional, o Paraná está na 25ª posição em salário inicial de professores. A gente só perde para Minas e Rio de Janeiro. Então, esperávamos que a proposta que foi construída por um grupo de trabalho fosse encaminhada para cá, para reformulação das carreiras.”
Ela considerou ainda o índice de 5% muito baixo. “Claro que é sempre positivo ter data base, mas o índice podia ser melhor, ou esta política poderia ter sido aplicada todos os anos para evitar a defasagem que nós estamos carregando hoje. O Fórum das Entidades Sindicais apresentou ao Estado o índice 12,8%, que corresponde à última data-base feita em agosto de 2023. Os 5% ficam muito aquém.”
A diretoria da APP-Sindicato ainda vai definir quando será a próxima assembleia. “Nós tínhamos uma greve indicada para iniciar na semana anterior. Naquele momento, nós tínhamos um sinal de que viria o projeto da carreira para cá, talvez não exatamente como disseram, mas que viria. Vamos reunir a categoria em assembleia novamente para avaliar os próximos passos da luta.”
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Líder passa mal
Líder da base governista na Alep, o deputado Hussein Bakri (PSD) se comprometeu durante a semana a negociar com o governo para obter mais avanços. Na sessão de terça da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alep, Bakri passou mal e foi internado no Hospital São Marcelino Champagnat, em Curitiba. Ele teve confirmado o diagnóstico de diverticulite aguda e está internado na UTI, sem previsão de alta.
Segundo o governo, o pagamento da data-base terá um impacto de aproximadamente R$ 1,3 bilhão ao ano. “A concessão da data-base é um compromisso que estamos cumprindo com seriedade. Sabemos da importância desse reajuste para os servidores ativos e inativos, e por isso estamos garantindo a reposição com responsabilidade fiscal, valorizando quem dedica sua vida ao serviço público”, afirmou o governador Ratinho Junior (PSD).
Oposição critica
A oposição a Ratinho Júnior criticou o índice de reposição. “Infelizmente, não é o que o servidor precisa. Porém, ou aprovávamos ou os servidores ficariam sem aumento. Resolvemos aprovar, sem discussão, para garantir o mínimo a quem mantém os serviços do Estado em dia”, disse o líder da oposição, Arilson Chiorato (PT).
O deputado lembrou que o projeto enviado pelo governo não contempla todos os servidores, pois categorias que passaram ou passarão por reestruturação em 2026 ficaram fora da revisão. “Os servidores não são ouvidos pelo governador há quase oito anos, mas ele sabe que existe uma defasagem acumulada, que corrói os salários. Porém, mais uma vez, tomou uma decisão política. O governo Ratinho só tem dinheiro para conceder isenção fiscal aos grandes empresários.”


José Marcos Lopes
Repórter colaborador baseado em Curitiba, com foco em política estadual.





