Professor Sérgio vai empregar funcionários do Ratinho
Curitiba - Quem vai assumir a vaga de Ratinho Júnior (PSC) na Câmara dos Deputados é o ex-vereador de Foz do Iguaçu Professor Sérgio de Oliveira. Ano passado ele já ficou quatro meses em Brasília, no período em que Ratinho esteve afastado do cargo para disputar a Prefeitura de Curitiba. Na época, Oliveira não levou ninguém consigo para a capital federal, utilizando a estrutura e funcionários deixados pelo antecessor do PSC. Perguntado pela reportagem, disse que vai repetir o procedimento e não trocar ninguém. ''Não foi um pedido do Ratinho, nem eu tenho esse tipo de compromisso político para honrar. É que eu me adaptei bem a eles, que são uma equipe muito boa, com especialistas em todas as áreas'', justifica Oliveira.
Não existe nada da irregular nessa ''solução caseira'', diferente do que ocorria na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. Em setembro do ano passado, o Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná anulou trecho da lei 15.433, de 2007, que permitia ao político nomeado secretário de Estado manter empregada a equipe de seu gabinete na AL, ''acumulando'' as duas estruturas. A Câmara Federal nunca autorizou esse procedimento, mas também não impede ''ajustes'' como esse anunciado pelo Professor Sérgio. Ele alega que não vê motivo para levar equipe de Foz do Iguaçu para Brasília, com as pessoas tendo que deixar os empregos, para um cargo que é momentâneo e dependerá da permanência de Ratinho no governo do Beto.
O subsídio de um deputado federal chega a R$ 26,7 mil por mês. Em seus gabinetes parlamentares, eles podem empregar de cinco a 25 pessoas, desde que a soma das remunerações não ultrapasse R$ 78 mil (mesmo valor da Assembleia Legislativa do Paraná para os gabinetes dos deputados estaduais). A cota para o exercício da atividade parlamentar é de R$ 29 mil, e pode ser gasta com passagens aéreas, alimentação, fretamento de aeronaves e embarcações, contratação de consultorias e serviços de segurança, por exemplo. Além disso, existem benefícios adicionais aos parlamentares, apelidados de ''14º e 15º salários'', cujo pagamento está para ser cancelado pelo plenário da instituição.
O político do PSC de Foz do Iguaçu foi vereador da cidade por três períodos consecutivos, de 1996 a 2008. No ano passado, Oliveira foi o nome mais votado para a Câmara de Vereadores, só que o PSC não fez os votos de legenda necessários para ganhar uma vaga no Legislativo. Antes disso, Oliveira era professor de português e língua estrangeira na rede privada de ensino na cidade. ''Foz do Iguaçu historicamente não elege deputado federal, é quase um trauma para o município. Isso aumenta a minha responsabilidade'', reflete o ex-vereador.
''Foz é o segundo maior pólo turístico do Brasil, perdendo só para o Rio de Janeiro. A PR-469 tem que ser duplicada, a BR-277 de Matelândia a Cascavel também. A entrada da cidade precisa de um viaduto, pois tem muitos acidentes, fora o congestionamento'', enumera. Oliveira também milita no campo da prevenção ao uso de drogas. ''Estamos no corredor do tráfico, muito vulneráveis. A região precisa de um centro de tratamento para os dependentes químicos'', reclama o político, que já deu palestras sobre o tema até no Paraguai. Ratinho Júnior deixa Brasília para assumir a pasta do Desenvolvimento Urbano do governo do Paraná. (J.L.J.)





