Professor preso devolve salários
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sexta-feira, 15 de abril de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O advogado Luiz Gaya, que defende o professor da rede municipal de ensino, Odenir Machado Viegas Júnior, devolveu ontem à Prefeitura de Londrina R$ 5,2 mil referentes aos salários de dezembro, janeiro, fevereiro e março pagos indevidamente ao seu cliente. Viegas Júnior está preso desde o dia 6 de dezembro, por formação de quadrilha, mas continuou tendo os vencimentos depositados em sua conta bancária.
''Ele (Viegas Júnior) foi pego de surpresa com a informação de que existia dinheiro da prefeitura na conta dele. Ele está preso na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) e acho que por lapso da Secretaria de Educação é que fizeram o crédito'', disse Gaya. A devolução dos salários foi feita através de um ofício assinado pelo diretor de Gestão de Informações Funcionais da Prefeitura, Paulo César Ramos, que solicitou à Caixa Econômica Federal (CEF) o estorno do dinheiro.
Viegas Júnior, que era também professor do Estado, pediu licença sem remuneração junto ao Núcleo Estadual de Educação ainda em dezembro. O mesmo pedido somente foi encaminhado ontem à Prefeitura. ''No dia em que ele foi preso, todos os colegas ficaram sabendo. Foi noticiado em quase todos os meios de comunicação. Ele imaginou que a prefeitura sabia que ele estava naquela situação'', justificou o advogado.
O professor foi preso em flagrante em 2000, após a Polícia Federal ter encontrado em sua residência cheques roubados e um computador com arquivos da planilha de ações da quadrilha. Ele aguardou em liberdade o julgamento de um recurso no Tribunal Regional Federal da 4 Região (TRF), que no dia 30 de junho confirmou a condenação a um ano e seis meses de reclusão. O mandado de prisão foi cumprido no dia 6 de dezembro.
Gaya reconheceu que foi um ''lapso'' do professor não ter comunicado oficialmente a Prefeitura de sua prisão. ''Foi um lapso dele não ter feito isso. Ele não colaborou com qualquer dolo para os depósitos e como havia o lapso de não ter requerido a licença sem remuneração, foi feito isso'', afirmou.
A Secretaria de Educação instaurou um procedimento administrativo para investigar os pagamentos irregulares. Viegas Júnior é servidor desde 1994. Em 2003 foi cedido para o gabinete do vereador Sidney de Souza (PTB), onde esteve lotado até novembro de 2004.
O vereador disse que não sabia das pendências judiciais do servidor. ''O currículo que ele me apresentou era de um professor formado pela Universidade Estadual de Londrina, da rede estadual há 20 anos, diretor de uma das maiores escolas da cidade e na época me disse que tinha alguns projetos na área educacional para trabalhar no gabinete'', justificou. ''Me causa constrangimento essa situação. Nunca estive envolvido com essas coisas e vou ter que fazer uma avaliação política com meus assessores sobre a percepção da população sobre esse caso.''


