Professor defende renegociação das dívidas
São Paulo - Professor de economia da PUC-SP, Antônio Corrêa de Lacerda defende uma renegociação das dívidas de municípios como São Paulo. Segundo ele, é necessário buscar condições reais para que os avanços obtidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal sejam realmente cumpridos.
''A Lei Fiscal tem o mérito de estabelecer o parâmetro para que os governantes possam ser enquadrados. Temos de buscar, se quisermos realmente cumprir a lei, formas de renegociar esse processo.''
O economista alerta ainda para um outro problema: ''As grandes cidades tendem a se inviabilizar econômica e financeiramente, porque elas exigem uma infra-estrutura absurdamente incalculável'', diz o professor, lembrando que as metrópoles européias não chegam a um terço do tamanho da capital paulistana. ''Por isso é preciso renegociar num âmbito mais amplo.''
Lacerda prevê dificuldades para que São Paulo obtenha resultados positivos nas mudanças que pretende. ''O principal argumento seria o de que uma cidade como São Paulo é a única com essa dimensão'', diz o professor. ''Mas é sempre difícil renegociar, o que não quer dizer que não deva ser tentado'', completou ele.
Apesar de sustentar o diálogo para se chegar a um ''meio termo'', Lacerda alerta que, no Brasil, ainda há muito espaço para melhorar o gasto público, por meio de ajustes fiscais e diminuição de desperdícios. Ajustes do gênero ajudariam, segundo ele, a enquadrar Estados e municípios aos limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. ''No geral, o Estado gasta muito e mal, portanto há esse potencial'', afirma o economista. (C.C.)





