O criador de um estilo de marketing político que marcou as campanhas eleitorais na última década no Paraná está deixando o Estado. O jornalista Wianey Pinheiro, 50 anos, um dos três sócios da produtora de comerciais GW, não vai mais fazer campanhas políticas. ‘‘É uma decisão estritamente pessoal. Trabalhar em campanhas políticas é uma canseira definitiva e eu cansei de tudo. Até prejudiquei minha vida pessoal e familiar por conta disso’’, desabafou o jornalista, que contabiliza quatro casamentos e dois filhos.
Antes de se tornar sócio dos jornalistas Woille Guimarães, que cuida da GW em São Paulo (há 10 anos), e Luiz Gonzalez, da GW Brasília (que opera há sete anos), Pinheiro foi chefe de redação da ‘‘Folha de S. Paulo’’, onde permaneceu 12 anos, e editor-chefe do ‘‘Jornal Nacional’’. Há oito anos ele dirige as campanhas vitoriosas dos políticos ligados ao governador Jaime Lerner (PFL). O envolvimento dele com políticos paranaenses começou em 1989, quando dirigiu a campanha do então candidato ao Senado José Eduardo de Andrade Vieira.
Pinheiro conta que um dos diferenciais para o sucesso da GW foi o ‘‘mínimo de identidade’’ entre ele e os políticos com quem trabalhou. ‘‘Sem a mínima identidade não dá certo. Nossa fórmula é a do ‘propalismo’, propaganda misturada com jornalismo. E isso não tem as características tradicionais do marketing político porque, em boa parte das vezes, os candidatos deixam de ser os protagonistas das campanhas eleitorais. Nosso diferencial é saber contar a história do povo’’, destacou.
Ele se considera ‘‘quase um ditador’’ e diz que isso ‘‘não é birra’’. ‘‘Eu brigo muito e só mostro os comerciais para os coordenadores de campanhas, ou aos candidatos e os assessores deles, somente depois que as fitas estão nas emissoras, prontos para ir ao ar. Nas campanhas, chega-se a um momento onde apenas uma pessoa tem que dar opiniões e tomar decisões’’, justifica.
Pinheiro afirma que aprendeu a fazer campanha eleitoral como se fosse um programa de televisão. ‘‘Temos uma cultura televisiva forte. E a técnica da propaganda política tem que ser a mais televisiva possível. Por isso, não adianta fazer algo ruim porque o eleitor não vai querer assistir’’, orienta.
O jornalista disse que torceu, no começo do segundo turno, para que a Assembléia Legislativa aprovasse o requerimento dos deputados oposicionistas a Jaime Lerner, que queriam informações sobre o relacionamento comercial entre a GW e o governo do Estado. ‘‘Somos legalistas e trabalhamos, sempre, na mais absoluta transparência. Jamais trabalhamos diretamente com o governo do Estado, somos contratados pelas agências que fazem a publicidade do governo que, para nós, é um péssimo cliente se comparado com a iniciativa privada que é o que realmente nos mantém’’, salientou.
Ele avalia que a realização do segundo turno em Curitiba foi ‘‘significativo’’ e ‘‘importante’’ para a cidade porque, na opinião de Pinheiro, a população ‘‘estava um pouco cansada dos políticos tradicionais, mesmo os do grupo para os quais eu trabalhei’’. Pinheiro considerou ‘‘muito mais difícil’’ vencer o PT. Mas, na avaliação dele, o marketing da oposição ‘‘se perdeu’’, quando foi obrigado a trocar o discurso ‘‘light’’, usado durante toda a campanha, pelos ataques a Cassio Taniguchi.

mockup