O produtor cultural Juarez Rezende Araújo, autor de denúncia por quebra de decoro parlamentar contra sete vereadores citados no ''caso Shirogohan'', criticou ontem o arquivamento do caso pela Mesa Diretora da Câmara de Londrina. Com base nas suspeitas de que houve pagamento de propina para aprovação de lei que beneficiou o boate erótica, Araújo pediu que o Legislativo abrisse processo disciplinar contra os envolvidos. Se fossem condenados, os parlamentares poderiam ter os mandatos cassados. Porém, depois de mais de seis meses de tramitação, sem que nenhum depoimento fosse colhido, a Câmara arquivou o caso - juntamente com as representações sobre o ''mensalinho da TCGL'' e a ''lista do Caldarelli''. A decisão coube aos vereadores Maria Ângela Santini (PT), Paulo Arildo (PSDB), Pastor Renato Lemes (PRB) e Lourival Germano (PT).
''Decisões como essa só confirmam o que as pessoas pensam dos políticos: que eles só enrolam, que dizem uma coisa e fazem outra, que banalizam a democracia'', criticou. '' Foi uma pizzaria inteira. Chamar de pouca vergonha é pouco.''
Ontem, a vice-presidente da Câmara, Maria Ângela Santini (PT), defendeu o arquivamento alegando que os indícios de corrupção não podem ser considerados provas. Em declarações à imprensa, ela sustentou que o Poder Judiciário, que conduz quantro processos sobre os casos, tem pessoas ''sérias'' para apurar o que aconteceu. Segundo ela, se houver condenação na Justiça, os eleitores podem entrar com nova representação na Câmara.
Durante a investigação do caso pelo Ministério Público (MP), o proprietário da Shirogohan, Claudemir Medeiros, reconheceu o pagamento de propina visando obter autorização para construir um motel ao lado da boate. De acordo com ele, a negociação teria sido feita com o presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB). Em razão do impedimento de Souza para despachar a representação, o caso foi conduzido pela vice-presidente. Além do depoimento de Medeiros, o ex-vereador Orlando Bonilha (sem partido) reconheceu corrupção no caso. ''E a vereadora (Maria Angela) ainda diz que não há provas'', questionou Rezende.
A promotora de defesa do Patrimônio Público, Leila Voltarelli, afirmou que, no entender do MP, os indícios de irregularidades são ''robustos e contundentes''. ''Tanto é que em dois casos (Shirogohan e Caldarelli) as ações já estão na Justiça'', disse.
De acordo com ela, a tramitação dos processos não exime a Câmara de conduzir processos administrativos. ''Cada instituição tem sua parcela de responsabilidade. A aplicação da responsabilidade civil e criminal é de alçada judicial, mas a repercussão política e administrativa é do âmbito da própria Câmara'', disse. Os vereadores citados nas denúncias negam irregularidades.

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