Prodi alerta sobre impacto do euro
Agência Estado
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Pela uniãoRomano Prodi e FHC: defesa dos blocos econômicos continentais e advertência velada ao ParaguaiNo momento em que o Mercosul está abalado por uma crise política no Paraguai e pelos efeitos do terremoto financeiro na Ásia, o primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, deu ontem, em Brasília, dois importantes recados ao presidente Fernando Henrique Cardoso: a necessidade de garantir a estabilidade na região e preparar as economias para o impacto do euro, a moeda única européia que entrará em vigor neste final de século.
É essencial que o Mercosul assegure que é irreversível, disse Prodi, numa entrevista coletiva, referindo-se à união aduaneira, criada pelo Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai. A Europa e a Itália querem ter certeza que os investimentos feitos na região, em base num projeto de integração, terão continuidade, explicou.
Prodi disse que o principal objetivo de sua viagem foi iniciar uma fase de investimentos muito fortes no Brasil. Mas ele também quer incentivar os brasileiros a investirem nas privatizações italianas e financiar joint-ventures de pequenas e micro empresas dos dois países, com a oferta inicial de uma linha de crédito de US$ 100 milhões.
Na conversa com Fernando Henrique, Prodi não citou a atual crise no Paraguai (que pode resultar na expulsão do país do Mercosul, caso sejam cumpridas as ameaças de adotar medidas inconstitucionais para solucionar brigas entre adversários políticos nas eleições presidenciais deste ano). Mas disse que a Itália e os outros 14 países da União Européia (UE) queriam que o Mercosul fosse a garantia de estabilidade na área.
Ele lembrou que, desde a criação da UE na década de 50, países que se enfrentaram em duas guerras mundiais neste século nunca mais pegaram em armas para solucionar suas divergências. Não falamos especificamente do Paraguai, mas mostrei como o processo de integração da UE foi essencial para solucionar muitos atritos, disse. Basta pensar que 30% das leis em vigor na Itália foram elaboradas em Bruxelas (sede da UE) e não pelo Parlamento italiano.
Sobre o euro, Prodi disse que a moeda única européia certamente terá um forte impacto sobre a economia mundial. O euro terá a mesma força no cenário internacional que o dólar, previu. Com os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Julio Maria Sanguinetti, do Uruguai (país que visitou antes de chegar ao Brasil), ele falou sobre um tema polêmico: a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
A Itália fez uma nova proposta, diferente daquela defendida pelos Estados Unidos, de aumentar o número de membros permanentes. Além dos EUA, da França, da Grã-Bretanha, da Rússia e da China, haveria um representante por região. Mas este seria rotativo e não fixo, como querem os americanos.





