Procuram-se candidatos a deputado. A menos de 30 dias para definir sua lista de proporcionais, muitos partidos não conseguiram preencher metade das vagas. Em São Paulo, todas as siglas ainda correm atrás de voluntários, mas é pouco provável que consigam completar a relação de 99 candidatos a deputado federal e 141 pretendentes à Assembléia Legislativa.
Além da má-imagem e do alto custo da campanha (no mínimo, R$ 500 mil para estadual e R$ 1 milhão para federal), que já eram problema, os candidatos agora ainda têm outros motivos para desistir da empreitada. A restrição da imunidade parlamentar e a redução no número de estatais acabaram com outros atrativos: escapar de processos e distribuir empregos.
Com a vida mais dura, os candidatos ficaram escassos. No PPS paulista, por exemplo, não existem mais do que 50 nomes para federal e 60 para estadual. ‘‘Pelo menos as novas restrições afastam os aventureiros’’, consola-se o presidente estadual do PPS, deputado Arnaldo Jardim. O PT é exceção para estadual, com 140 inscritos, mas só tem 60 para federal. ‘‘Quem está na prefeitura prefere ficar no cargo’’, explica Luiz Turco, secretário de Organização do partido. É o caso dos federais Eduardo Jorge e Ruy Falcão e dos estaduais Jilmar Tatto, Paulo Teixeira e Carlos Zarattini, secretários municipais de São Paulo, que desistiram da reeleição.
Nem os salários compensam. O federal ganha R$ 8 mil, mas um vereador de Guarulhos chega a receber R$ 12 mil. O deputado estadual recebe R$ 6 mil, enquanto alguns prefeitos ganham R$ 20 mil. Não são fatos novos, mas antes eram compensados pela imunidade parlamentar e o poder de barganha. ‘‘Sem estatais e com a responsabilidade fiscal, a relação custo-benefício ficou complicada’’, anota o cientista político Rubens Figueiredo. Para o seu colega do Iuperj, Fabiano Santos, este é um dado novo, mas saudável. ‘‘É um filtro positivo.’’

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